A tradução das melhoras.
- Poeta dos Jardins
- 14 de abr. de 2020
- 4 min de leitura
Escrever sobre os significados daquilo que as pessoas fazem para melhorar a vida das outras pessoas é um desafio. Mas, me atrevo a escrever sobre a proposta do título justamente porque da poesia se caminha para a ciência, do sentir se caminha para o laboratório, da observação se dirige para a resolução de problemas que assolam nosso cotidiano. Por isso, a via que persiste em refletir sobre os sentimentos também tem como destino os sofrimentos e a possibilidade de responder muitos questionamentos que necessitam ser respondidos pela humanidade.
Traduzir aqui não significa apontar as palavras para as pessoas e muito menos identificar tautologicamente quem está certo ou errado. Aqui escrevo sobre a tentativa incansável de exercitar um caminho que possibilite as pessoas a caminharem de encontro a uma autoridade que não se concentra numa pessoa, mas em um conjunto de reflexões que denominamos de conhecimento científico.
E o que isso tem a ver com a própria poesia e os sentimentos expressos em palavras? A resposta não é tão simples quanto parece. Até porque carece de um tanto de exercícios já escritos anteriormente aqui no blog. Também, não é garantia que as palavras que eu escrevi anteriormente sejam receitas para que possamos chegar ao conhecimento científico, mas aqui estou interessado em abordar a consciência científica. Esta consciência será a primeira característica de uma afirmação um tanto enciclopédica que tento imprimir neste texto. As melhoras são traduzidas pela consciência justamente pela forma como paramos para refletir as coisas que são importantes em nossas vidas e presume se que as pessoas melhorem suas posturas. Há, portanto, um dilema muito forte nessa afirmação porque as pessoas são dotadas de valores e aprendem a praticar esses valores no curso de suas vidas. Por isso, a segunda característica é traduzida por aprender a ouvir e esta atitude nos leva a duas virtudes repletas de valor: a sabedoria e o conhecimento. É ouvindo que confrontamos e aí questionamos nossas próprias verdades e aquilo que construímos como castelos intransponíveis em nossas cabeças. E nesse processo enfrentamos um outro dilema que se insere na melhora pessoal de cada ser como uma indagação profunda no modo de ser. Por isso, a terceira característica é o método, ou seja, a maneira como encaramos as melhoras em nosso ser no tempo e espaço. É ai que podemos entender a eficácia da ciência para que a consciência, o ouvir e o método sejam tomados como posturas sérias para melhorar a si e também aquilo que nos cerca.
Estas três características traduzem a melhora como exercício de vida por que verificam posturas e condutas que levam a abertura e principalmente diálogo, que são essenciais em tempos tão conturbados como o da atualidade. Muitos valores e virtudes que vivemos ao não comungarem destes três significados seguem práticas antagônicas que mais afastam e diminuem o ser. Novamente não existe receita para o que vivemos, mas é como o próprio sentimento fala: "Um amor em sonho e piedade, eu estou realmente colocado como uma bomba para explodir".
Esta frase se alinha justamente com o que estou tentando refletir aqui porque a enxurrada de informações são misturadas em um espaço limitado de consciência em que a lucidez e a ignorância se misturam e estão embrulhadas na maneira como todos nós não prestamos a atenção no que é dito e muito menos no que acontece realmente com as pessoas em nossa volta. Mesmo no campo da sentimentalidade a ciência auxilia a responder dilemas e problemas, porque seu método nos aponta como pinçar a consciência entre tanta ignorância que é publicada no cotidiano. Não estou aqui querendo limitar o lugar de expressão e muito menos a liberdade de expressão, mas quero atentar para um método de expansão da mente e da própria conduta para o que é dito e muitas vezes tomado como ponto de vista.
Estamos em um tempo de ebulição das ideias e informações ao mesmo tempo que admito que estas três características que apontei também são limitadas justamente pelo universo enciclopédico que cada pessoa encontra na sua referencia cultural e intelectual. Mas, fazer o melhor não é refutar experimentos humanos de solidariedade e resolução de problemas com opiniões apaixonadas e distante dos valores de escuta e bem comum. Einsten admoestava essa forma mensurável de seguir métodos no rumo da consciência e da escuta para que possamos alcançar alguns lapsos de sabedoria e genialidade. Parafraseando Simone de Beauvoir, não se nasce gênio, torna se gênio com a capacidade rara e humilde de escutar as pessoas e o universo que nos cerca.

Hoje a poesia se insere em um campo seleto da literatura em que a qualidade que se escreve não é lida, justamente pela forma como as pessoas são formadas para operarem máquinas e objetos de retenção. Não posso aqui colocar o desejo como característica de melhora por que nesse exato momento da história o desejo está atrelado ao lucro e a retenção de bens materiais e a cegueira de trabalhar para um fanatismo religioso e econômico que sufoca a arte de escrever e possuir conhecimento.
Mesmo que a tradução de conhecimento signifique possuir, em tempo presente a história não me permite escrever outra coisa a não ser a retomada da consciência sobre os diversos papéis que o mundo exige. As pessoas alcançaram infelizmente o maior índice de alienação que é a defesa religiosa de seus patrões como servos inseridos nos interesses apenas individuais. E esta angústia deve se tornar um caminho de aprendizagem para que as pessoas abram suas mentes para as novas ideias, as novas descobertas e por fim, o caminho da ciência. Sem que esta supra a necessidade do senso comum da ciência que as múltiplas culturas fazem.
E eis que:
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