Animal colorido.
- Poeta dos Jardins
- 21 de jan. de 2021
- 4 min de leitura
Longe de distinguir o que é melhor ou não, me atrevo a escrever com liberdade aquilo que é colorido na vida e naquilo que pude observar em vida, assim as cores fazem as distinções precisas entre o início da admiração e o término de um contemplar. Assim como um som animado que toca e no dois pra lá, dois pra cá, os olhos compassam os passos e o sentido de que a harmonia do som e do movimento bailam significados que vão além daquele repique e do dançar. A capacidade do animal colorido é fazer poesia com qualquer expressão que pode ser exibida e identificada no intermitente tempo que temos em conhecer, partilhar e principalmente sentir.
O animal colorido se permite desenvolver capacidades e habilidades que outros animais não se permitem, e aqui não estou reduzindo esta caracterização ao ser humano em si, pois até os animais coloridos que sentem a oportunidade de disputar sons e espaços para sua própria vida criando situações belas também são coloridos, como os pássaros, as formigas e também todo qualquer animal que por via da existência é tratado, estimado e por vezes superestimado. É claro que o atrevimento da escrita não pode ser lido por um gato, cachorro ou até um gato, porém as leituras da existência não precisam ser entendidas por que estão escritas, mas, por que são vivenciadas e partilhadas. E claro que o primeiro animal colorido que ler estes significados irá me comunicar mais essência, uma marca, um sinal e um mistério, do que os parabéns por escrever algo que pode refletir aquilo que aquece o profundo do próprio ser.
O animal colorido não é melhor ou pior, mas se diferencia dos outros por que é capaz de pulsar verdade nos olhares e também na própria forma de entender-se amado pela existência conjunta. E este percurso de sensibilidade não é algo tão fácil de ser despertado ou entendido, mas pertence a esses seres a admiração da própria prole e o medo dos animais especulativos que rodeiam as cores sem observar nitidamente os degrades e os detalhes que identificam a personalidade de cada coisa que existe e envia mensagens.
Portanto, os detalhes são a proximidade mais clara do significado da simplicidade, justamente por que as pequenas coisas são significativas para que os animais coloridos possam juntar detalhes das próprias cores para formar o colorido tão característico do universo sensível. O canto dos pássaro se assemelha as canções cotidianas das cores percebidas, dos tons analisados e transformados em canções com confiança. E o que requer a presença da cor não é tanto a investigação sobre a criação das situações, mas a capacidade de descobrir os sentidos que as cores tem e as formas das tonalidades postas na vida, transformam os adjetivos em eternos belos sem a necessidade de comparar o ser em ser.
Assim a finalidade do animal colorido é se alimentar de coisas materiais, mas poder significar atribuições importantes para que a materialidade possa dar significado para o caminho da felicidade. Por isso, a sentença de José Ortega retrata essa dependência da qual o ser humano não pode ser hegemonicamente este animal colorido que sempre cria condições para se alimentar mais e mais das coisas que poderiam ser degustadas. E por que esta sentença? Justamente por que este animal que tenta se colorir, aprendeu desde os primeiros passos esse bailar da insensibilidade de querer consumir e consumir cada vez mais. Propositalmente esta frase de efeito tem oposição no corpo do texto, justamente por que muitos homens/mulheres não se capacitam para a possibilidade de amar sem tempo. E nesse processo o homem não se diferencia dos demais animais porque, existem muitos sons coloridos e sem tempo da natureza que expressam um amor tão simples e intenso, que somos capaz de medir tais propostas e definições.

O ser que se torna colorido também é capaz de enxergar o transcendente, não se verificar autossuficiente e tecer a capacidade primária de anunciar a própria verdade. Assim, o caminho que se destina a pessoa que é capaz de observar com mais critério como as cores, se incorporam na existência e complacência de amar, doar, sentir e principalmente observar.
Aos poucos me atrevo a alcançar a característica deste animal colorido que tenta ao menos deduzir e diferenciar os tons de cinza que marcam os sentimentos e os acontecimentos que povoam os versos.
E como os pássaros, canetas, papéis envelhecidos e olhares experientes de vida que pronunciam a capacidade de sorrir para a vida, os animais coloridos sempre tentam promover o que há de melhor na expressão de todos os seres vivos.
Assim, a criatividade que determina a beleza daquilo que existe, também é a possibilidade de cultivar sentimentos, virtudes e podem explanar: - " Deus é o meu senhor, e ele é o caminho que me torna mais feliz, por isso não preciso chorar e nem me fazer de vítima, pois sou percursor de uma nova era", animais coloridos pintam sempre a própria essência interior.
Eis os versos:
A boa nova pertence ao amor que é oferecido,
não a história promissora dos sonhos
e da alegra de um mundo destruído pela falsidade.
Como posso esquecer dos dias
em que meus versos cicatrizaram um pouco do coração alheio,
e deixaram lágrimas
no meu rosto.
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