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Aprecie com moderação

  • Foto do escritor: Poeta dos Jardins
    Poeta dos Jardins
  • 13 de fev. de 2020
  • 4 min de leitura

Inicio esta postagem declarando que o próprio portal que hospeda este texto coloca como marca d'água a seguinte mensagem: "Insira um título atraente". O título acima esta colado na primeira página de fevereiro da agenda que inspira estes textos. (Para você que se deparou com a presença da agenda, vale a pena conferir os textos anteriores). Apreciar as palavras é uma atitude necessária porque estas são carregadas de profundas verdades e o que é de íntimo neste processo é o verso que pode ser interpretado de diversas maneiras. Assim as palavras exercem a função de retorno para aquilo que realmente somos e construímos. Os verbos que são lidos podem falar muito mais de nós mesmos que os próprios gestos e há uma síntese do senso comum que explana que mais vale a ação que a intenção, porém exitem centenas de milhares de ações que poderiam ser evitadas justamente pela atitude de apreciar, conscientizar e principalmente conhecer. 

A reflexão através da leitura e escrita como um exercício me acompanham há um bom tempo e o fortalecimento da memória se dá justamente nessa relação que tenho em voltar para minha própria consciência que é domar e se apoderar de um desejo que habita na própria forma de dar sentido e forma aquilo que parece abstrato e sofrego dentro de si. Lembranças podem parecer descaso com o que vivenciamos na atualidade, mas buscar fatos e sentimentos vivenciados determinam mais confiança e segurança nas atitudes cotidianas. 

As palavras são germinadas com muitos ingredientes e neste exato momento estou tentando decifrar se há ingrediente de espontaneidade ou de loucura. Uma sentença é certa: - "Se eu sou culpado pela atribuição do nascimento, quem acertará pela atribuição da minha própria morte". Ou seja, é possível afirmar que uma palavra nasce da maneira como esta é sentida no coração do escritor e se torna parte da mensagem que este pode favorecer ao mundo uma reflexão. As palavras muitas vezes machucam e matam e por isso podem ter sua morte decretada pela própria lembrança. Mas, entre a criação de uma reflexão íntegra e profunda e a verificação das relações que se exibem na própria função de refletir o que se faz com aquilo que escrevemos. É que a dimensão da escrita pode favorecer a relação da culpa, do momento em que se pode dirigir palavras que despertam atitudes inesperadas nas pessoas. 

Porém, escrever é um ato libertador e também repleto de verdades capazes de modificar o processo alheio de entender o mundo. Escrever é um processo de conversa com o próprio eu incomparável, daqueles que faz se servir de valores e preceitos de desconhecimentos e questionamentos nunca encontrados antes. As palavras escritas em diários, agendas e memoráveis poemas fazem com que sentimento de vida e segurança das próprias ações pareçam estar escorregando pelas mãos. Também, após a experiência de escrever o que se lê nos livros, nos olhares das pessoas e também na própria existência nos deparamos com uma inquietude que é bem escrita por Silvio Rodriguez...

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A escola de aprender a praticar as obrigações cotidianas e ser treinado para o que engendrosamente a sociedade descreve na vida, faz com que as escolhas sejam em um primeiro impostas. Em determinados momentos estas são impostas com preocupação e outras com carinho, porém não excluem o valor do amor. Muitos não param instantes para sentir a necessidade de estar junto e transformar os ambientes e espaços mais leves e transformadores. Até porque a ausência de ler as palavras faz com que a pessoa queira mais a transformação alheia que a própria. "O corpo realmente sente todos os erros cometidos, mas a alma realmente martiriza-os". As palavras nos levam inevitavelmente à direção daquelas perdas da infância e do percurso da vida, porque ajuda nos a degustar a própria vida como um processo contínuo, mas que precisa ser curado.  

O tempo se alonga quando não há sorriso, quando não há acolhimento, quando o abraço é podado e como qualquer ser em vida somente entende o desabrochar da vida e o nascimento das palavras que fazem brotar vida quando justamente importa a vida na continuidade do tempo finito e espaçado entre o passado e o presente. E depois de um certo tempo de vida podemos até tentar medir como muito tempo os fatos que até esquecemos de sentir.

São diversos os detalhes que nos fazem brincar de vivo e morto no dia a dia. Aquela brincadeira que se grita para poder movimentar o corpo quando criança é continuada na leitura da vida quando as pessoas não refletem que as palavras tem o poder de gritar com a alma e jogá-las para um fosso de morte e um lugar sem resgate. Para isso é importante lembrar que as pessoas gritam também um : - Vivo! E mesmo que seja tão sem sentido, é importante lutar para estar vivo em tempos em que as pessoas não conseguem mais apreciar a importância das palavras e da própria forma de expressar as palavras.

E o processo feliz de encontrar se nestas linhas e angústias é entender que todas as pessoas possuem desafios gigantescos e prescrevem receitas cotidianas para vencer os desafios da motivação para seguirem vivas e com saúde, com a forma mais privilegiada de pensar em cuidado próprio.

Mas, escrever não é nem por qualquer momento a ilusão de atos, é antes de tudo a necessidade de ser ouvido, já que frequentemente um escritor não é lido atentamente. O escritor aprecia os fatos cotidianos para poder colocar em versos os rumos desconhecidos daquilo que vive. E no cotidiano as pessoas vivem uma certa síndrome das maneiras de escrever porque não se entendem entre os volumes de postagens e o que se escreve nas redes sociais. Um processo de comunicação paralela em que as pessoas publicam mensagens sem ler umas as outras, e nesse sentido escrevo:


nasceu...

"O passado da gente surgiu unicamente

na madrugada em que passivamente

de olhos abertos chorou pela paixão".

é passado...

"Quando troco os sonhos pelos sentidos,

vejo-me num filme de terror,

não num filme de fatos reais".

presente...

"Lutar e exigir posse,

é como atribuir a chuva,

o direito e não chover".

é morrer...


 
 
 

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