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As esperas cotidianas do desca(n)so.

  • Foto do escritor: Poeta dos Jardins
    Poeta dos Jardins
  • 2 de ago. de 2019
  • 3 min de leitura

Nesta tentativa de escrever e perceber que também sou mais um entre milhões de seres humanos que aproveitam suas vidas para escrever essa experiência tão contemplada de adjetivos que tentam significar sentimentos. Não há como se colocar na pessoa humana que trabalha e gasta a própria experiência vital quando reconhece como trabalhador. Existem diversas formas comum e empíricas de descrever o trabalho e as formas como gastamos nossa vitalidade. Contudo, minha proposta é tentar questionar o lugar em que vivo e aquele que ainda não sei o qual viver. É bom poder escrever depois de muito tempo porque a coragem que me faz postar essas palavras até então julgadas pela minha pessoa como cafona, é fruto de um traçado e emaranhado de estradas, lugares, pessoas, sabores, sentidos e principalmente espiritualidades. E neste diálogo entre trabalho e espiritualidade que o poema de Ferreira Gullar me inspira e ensina a cada dia o ato de voar..., partir..., sentir saudade... assim como esse grande escritor ressalta: "quase como a árvore que voa no pássaro que a deixa".


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Quem está para a novidade, também está para pensar o percurso que temos e não nos damos o direito de descansar. Assim a missão de toda a pessoa é buscar pousada também, porque não só de aventura vive o tempo e nem só de descanso desfruta o trabalhador. Portanto, as frases que escrevi no passado me permite versar as seguintes reflexões: 

Impensáveis os dias de nossas vidas de felicidade

"No verso que escrito oferece vida a cada dia,

Deus conta com o meu ater em cada ato atrapalhado

com o significado que tardia a raridade do amor"


"Sempre tetarei sorrir quando a graça dos olhos meus afugentar e a esperança dos dias inteiro por escapar

das promessas cotidianas e presas em minhas mãos"

"Não vou ser criança sem amar tudo aquilo que sou,


estou fazendo, pois só assim serei infante, feliz e puro,

como a experiência de levar comigo diversificada verdade"

"O erro não deve fazer parte do vocabulário tão cansado,

porque o fardo de quem é feliz, descansa mesmo na loucura"


Escrever é a perpetuação daquilo que podemos frequentemente fazer e refazer durante o tempo de existência. Portanto, convido a você ler com mais calma a palavra 'oferece'. Nunca é fácil se despir daquilo que é propriamente seu, mesmo em versos e por vezes aquilo que está escrito tem o sentido egocêntrico de explicar o que mais se sente, que se escreve. A sentença de que o escrever aqui é mais sintético que a prática poética faz buscar uma justificativa de alguém que nos julga com mais propriedade. Mesmo que essa atitude seja atrapalhada, a verdade de todas as pessoas não são fáceis de serem decifradas, por isso que a identidade e a necessidade de se amar apresenta aqui como um trabalho também. As palavras carregam um espaço de intenção e verdade que são representadas naquilo que interpretamos dos trabalhos que desenvolvemos em vida. Possivelmente Ferreira Gullar tinha muitos motivos de lembrar de experiências vividas e escrever com propriedade aquilo que carregamos em nossa personalidade dos lugares que passamos, as culturas que aprendemos e as vivências que sempre nos caracterizam. A vantagem de poder viver em diferentes lugares é que voltamos as reações da infância na tentativa de descobrir a novidade em todos os sentidos. Pessoalmente vivi em 6 estados diferentes e nesse processo o que escrevi nas frases que se tornaram este poema foi anterior a esta vida cigana. 

As preconcepções que podemos escrever nas vidas de todas as pessoas são também um pouco do produto daquilo que vivenciamos em nosso cotidiano. Aqui cabe considerar enfim que errar não pode ser sinonimo de sofrimento. Não conseguimos em nossas vidas conhecer a própria humanidade que carregamos por completo e nos exigimos agir com extrema necessidade de realizar tudo o que os olhos dos outros pedem, imploram, ordenam... Ou seja, na conjuração de verbos o que podemos conjugar é o trabalho de escrever o que sentimos no sentido de poder encontrar alguém que possa partilhar com palavras o significado do verdadeiro descanso. Este que por sua vez não se dá na morte e nem no fato de romper com lembranças boas. Dá-se no processo de maturação e organização da própria vida em poder dizer com atitudes que o trabalho não pode ser a essência da vida, mas sim os lugares que passamos e as pessoas que aprendemos a viver nem que for escrevendo. Como este texto de agradecimento a este escritor Ferreira Gullar que na paciência daquilo que não se concretiza descreve as experiências.   

 
 
 

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