As vezes é melhor ser uma cópia.
- Poeta dos Jardins
- 4 de mai. de 2020
- 4 min de leitura
Muitas vezes ouvi e li que ser sábio é aprender com os erros dos outros, mas a pouca sabedoria que pude cultivar em minha vida foi das vezes que errei e principalmente fiz escolhas não tão felizes e responsáveis. Por que escrevo isto? Por que a vida é um caminho curto que observamos os passos dos outros e aí damos nossos passos. Cópia não precisa ser a obsessão de ser o outro ou a outra a todo custo, mas ter a noção de que o tempo nos dá oportunidade de sermos simples e principalmente praticar e exercitar o aprendizado.
Cópia é exercitar também a observação do que acontece ao nosso redor e principalmente evitar que uma atitude genuína se torne enredo da própria existência. Aqui há uma distinção entre viver a vida do outro ou conhecer a si mesmo, e nesse sentido quero escrever sobre o ato de conhecer a si mesmo, porém refletindo o processo de aprendizado das coisas que a vida apresenta.
Então a cópia aqui é poder dar espaço para a aprendizagem e principalmente para as coisas boas que podemos observar em nossas vidas. Assim a dedução daquilo que é importante para compor nosso próprio comportamento passa também pela presença e existência do próximo como alternativa capaz de introduzir em todas as pessoas a noção verídica de uma sociedade que pune e agride aquilo que é genuíno. Existem determinados momentos de nossas vidas que ficamos machucados e marcados por aquilo que as pessoas fazem com nossas atitudes, exigindo que todos estejamos dentro de uma caixa e um limite específico.
Os padrões de comportamento são sinais específicos que codificam no cotidiano a possibilidade de fazer ou não as coisas acontecerem e tomarem um sentido mais saudável de vida. Atento ao processo como as coisas se desenvolvem em um relacionamento ou até um simples direcionamento de palavras. As pessoas aprendem a comparar e julgar suas próprias atitudes sem antes pedir licença para a própria forma de existir e ser. Nesse sentido nos cabe apenas entender que quando as pessoas não são totalmente livres em suas vidas, elas impedem a liberdade e espontaneidade também de quem possuem uma relação, seja esta sólida ou simples.
Em algumas situações o fato de copiar atitudes e principalmente discursos nos insere numa relação preferencial que determina alguns passos que podem ser conhecidos como políticos. Exemplo a maneira como entendemos de nossas preferências e precisamos apenas copiar o rosto encenado para demonstrar aquilo que realmente não queremos. A consciência e a exterioridade são distintas quando o objetivo é bem definido. Assim, estaremos cumprindo com a própria forma de expressar nossas verdades sem que estas necessitem ser escancaradas. É difícil atuar desta forma, porque no cotidiano a propensão a transparência é mais evidente e a quantidade de questões que são levantadas diante da mentira e do engano também entram nesse enredo. Mas, a regra mais específica é entender o quanto é necessário de fato mostrar a própria transparência para pessoas que não acrescentam nenhum valor em sua vida. E este dilema acaba definindo a maneira como a personalidade das pessoas é constantemente fragilidade pela relação da confiança.
No campo dos relacionamentos isto também acontece porque as pessoas tentam reproduzir seus anseios em práticas prontas e já formatadas na sociedade. Temos contato com a produção de mensagens e opiniões que nos conduzem a valorizar objetos e bens materiais. E nesse sentido transferimos o encanto para o exercício de presentear quantitativamente as pessoas de coisas que elas mesmas muitas vezes não necessitam. Atualmente para muitas pessoas há um processo necessário de reconexão a ser feito com que está ao lado e quem se compromete partilhar segredos e valores na vida.
Nesta etapa há uma excelente brincadeira versada há muito tempo que retrata o seguinte: "tenho versos diversos que expressam na minha alma a dor e o compromisso, a flor e o aroma dos passos reunidos num caminho duvidoso, por isso, convenço me a lutar pelos ideais da vida".

Ouvir e se referenciar em melodias e letras profundas é um desses caminhos marcantes. Como a citação de Caetano Veloso que retrata a sensibilidade diante da ausência de confiança. Os passos dados neste caminho exalam alguns sentimentos. As palavras podem ser copiadas e cantadas como mantras, assim como as obras literárias e textos inspiradores que muito gostamos. Também soma se a esta prática os olhares que nos marcam e nos fazem resplandecer sentido de vida. A fome muitas vezes pode ser saciada por práticas em que repetimos sabores, fragrâncias e também texturas. Portanto, o ciúme é a evidência que a relação se torna um possuir alguém e não partilhar com este sujeito/a os sabores diferentes que a vida proporciona. Sabores que se transformam em sofrimentos e que podem ser traduzidos em versos...
"A chuva lava o pensamento e me renova na verdade,
pois sacia o sonho e a liberdade
e me traduz som do silêncio.
É realmente a natureza nítida,
o olhar e a força de Deus em teu ser desejado,
por isso sinto que a beleza me renova a cada dia,
como uma bela chuva que me enche de sonhos".
E "Conheço-te a cada palmo da minha mão
que palpita seu suave corpo
e me deixa perdido entre os pedaços pequeninos de amor
e as migalhas perdidas da minha alma".
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