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Como uma sexta-feira qualquer

  • Foto do escritor: Poeta dos Jardins
    Poeta dos Jardins
  • 10 de out. de 2019
  • 4 min de leitura

Escrevo como se o corpo pudesse se permitir a parar um pouco no tempo, e a maneira lenta da qual as palavras são escritas nestes papeis especiais, justificam o cuidado e a necessidade de ser cuidado que todo o ser tem. É belo poder publicar o rascunho de pensamentos antigos porque podemos corrigir e ao mesmo tempo contemplar que durante a vida pudemos ter sentidos tão sublimes e repletos de valores. Como uma sexta-feira qualquer os objetivos diários começam a se tornar mais intensos para um jovem de 18 anos. Este foi o momento que pude vivenciar a experiência de escrever as frases que irão concatenar estas ideais escritas e parafraseadas de poemas. 

Assim o dia fica mais evidente quando é contemplado o período noturno. Muitas coisas precisariam ser escritas para tentar relacionar o meu cotidiano com aquilo que expresso por palavras, mas o fator de conhecer e conviver com as outras pessoas é o espaço do qual posso tomar para escrever sobre esse dia da semana e o que soma como prioridade no modo de contemplar e praticar valores. A poesia é como um caminho importante neste processo porque foi a partir dela que pude traçar planos para minha personalidade e meu modo de expressar o que via e ainda vejo do mundo. Resgatar palavras escritas tem este enredo de contracenar com o eu adulto e um pouco gasto com o jovem que queria gastar o próprio sentimento e o desejo de amar. 

Para tanto, este amor pode ser interpretado de qualquer forma, mas a princípio ele tinha um sentido de fraternidade por carregar um passado-recente de encontro a valores que talvez em futuro posso poder superar. E na caminhada da superação contínua dos meus sentidos e também dos meus próprios universos escritos e transcritos, a noite transformava se em um período que me permitia descrever os valores de forma mais claro para meu insano sentimento. Conquistar valores pode ser o primeiro passo para ordenar palavras bonitas, mas estas palavras somem com o tempo e com elas também desaparecem no inconsciente muitas sensações criadas e objetivadas na própria vontade. E as vontades não passam..., continuam impregnadas nas palavras a ponto de que o desejo que criamos pelas pessoas pode se transformar em qualquer tipo de força em nossas ações individuais, mas nas minhas e particularmente se tornam palavras encrostadas no inconsciente que se faz consciente em descrever sentimentos. 

Determinado a tentar escrever para impressionar minha caminhada de amadurecimento diante de muitas coisas que presenciei e pude sentir, percebi que as sextas-feiras são cenários e palcos que nos permitem a noite refletir as máscaras, pinturas e adereços que pudemos construir diariamente. Também me permiti entender que o final de semana é um processo de extrema nostalgia apresentando a alegria, a novidade, a aventura, o jogar-se de cabeça-alma-coração na vida das pessoas, e depreciar e apreciar o final da tarde do final de semana descansado na preparação do novo dia de trabalho que se apresenta. Posso afirmar que muitos poetas antigos bebiam e viviam intensamente para poder vivenciar aquilo que sentiam de maneira forte, e a força da palavra de um poeta é caminho sem volta. Wisnik descreve essa angústia da reciprocidade do desejo de ser respondido... Do desejo de alguém se fazer presente no universo do sentimento da pessoa que se descobre mesmo no escuro tempo de uma sexta-feira qualquer.

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A reciprocidade se dá nas palavras datilografadas no tempo de nossos sentimentos e também daquilo que lembramos com muito carinho. Os valores são tão importantes que não podem ser comprados e tampouco comercializados, justamente porque existe um processo de estar com as pessoas e também com a essência daquilo que realmente somos. Por isso, os poetas são importantes porque escrever de maneira tão próxima aquilo que não pode ser lido apenas como verbo e sujeito, mas como inquisição do próprio sujeito. 

Há um medo maior que o próprio medo que é o medo de perder alguém...

Nas sextas dos anos incontáveis em que a busca por presença se fazia de modo intenso e sem uma responsabilidade tão centrada, permitia escrever poesia a partir de frases que o cotidiano me fazia externar: Ei-lo

"O amor permite que as pessoas não somente se unam,

mas se conheçam como seres humanos".

O caminho a percorrer é relativo

e o dever é tão insignificante, por isso...

"Longe é a distância que exprime a certeza de querer sempre se aproximar".

Encantar-se todos os dias pelo olhar não olhado.

Pode ser triste?

"Gostar de viver não é capricho, mas sim uma grande virtude".

que muitas vezes dá vontade de caprichar para encerrar com ela.

"Sempre que o amor derrotar o ódio

o princípio da esperança sempre existirá como serviço em prol da soberania do bem".

para concertar os desejos não correspondidos da semana.

Porque como um poeta escreve em máquinas,

"Como um mecânico, nós vivemos construindo muros com graxa e ferros com sangue".

Acabando com nosso próprio coração.


Que a cada sexta-feira possamos resgatar o que há de mais forte em nossas palavras, a criatividade de criar sensibilidade no olhar do próximo. Àquele que lê e entende consegue saber que qualquer sexta-feira é a nostalgia convencionada dos momentos que podemos viver com mais de nós mesmos, com o cultivo da genuinidade e com aquilo que é livre para se pensar.

 
 
 

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