Conseguiram: conquistaram antes!
- Poeta dos Jardins
- 10 de jun. de 2020
- 5 min de leitura
A que ponto chegamos de arriscar nossa existência para entender o que se passou antes de existirmos. É a sentença daquilo que se faz presente na necessidade de poder explicar a própria origem e como as escolhas que nos fizeram nascentes serem feitas neste solo. Sim, cada chão possui uma energia e esse chão é de conquista.
Conquistaram antes de nossas mãos poderem entender como se faz o arado da terra, conquistaram antes as maneiras de expressar e falar sem que antes pudéssemos gritar para que a natureza pudesse nos dar respostas plausíveis. Conquistaram antes e conseguiram impor a própria linguagem, as normas de conduta, os cardápios sugestivos dos gostos e tanta coisa se conseguiram no infinitivo que tomamos tudo isso que vemos na vida humana como nossa. Exatamente a fantástica maneira de se apropriar daquilo que já conseguiram expressar na humanidade.
A margem da minha ignorância infestada de referencias que fui obrigado a me adaptar e inquirido a inquietar me e buscar, o caminho da ciência também é aquele que conseguiram conquistar antes como um labirinto que não tem por princípio chegar ao fim do percurso, mas descobrir detalhadamente quais são os percalços e os perigos e tomar o caminho para o final deste labirinto chamado vida de normal. Sim, as leis tem a serventia de setas que nos conduzem para o final desta brincadeira da vida, mas que graça tem esta se não nos desviarmos dos caminhos e conquistarmos os caminhos dos quais muito ali ficaram sem respostas e muito menos considerações finais.
A erudição dos tempos atuais é imagética e não possui profundidade justamente porque esbarra no caráter já conquistado de um currículo ou status quo do qual requer a reflexão sobre a equiparação das desigualdades, mas a disputa e a realidade é então tão desigual.
E nestes versos para poder explicar porque as coisas da vida ganham esse tempero de irregularidade quando o passado conquistou a condição de vida atual é que a genuinidade é traçada pelos atos mais simples e cotidianos possíveis. Há uma explicação racional para isso que é o traço da humanidade que em seu movimento mais ousado pode modificar, construir, criar, redefinir e por curiosidade e simplesmente por ela verificar uma conquista dita como mentira.
Dou o exemplo da conquista dos territórios e em especial o que eu me denomino naturado. Tal terreno está mais fértil justamente pelo sangue escorrido dos nativos e inocentes do que de fato pela tecnologia e necessidade da irrigação pelo pensamento comum de que a vida é o preceito de uma casa comum. A casa é dividida na realidade e ela é fruto de conquista e assim como a terra, os corpos, a ideia e até a simplicidade de escolher o que se quer da vida se torna condição de conquista. Muitas pessoas ao procriarem colocam dentro do seu imaginário que as pessoas são fruto de sua própria necessidade de conquistar terra, bens e tantas outras coisas das quais não fazem parte da vida matriz que foi gerado. O terrível fato de existirem pais que pensam que seus filhos, esposas e parentes serem extenção de território faz perceber como o movimento de conquista tornou a humanidade mais propensa a perversidade que a solidariedade.
Conseguiram, conquistaram o direito de expressar os sentimentos e convicções políticas só por causa do processo cronológico de vida e de ausência de descobertas na vida, conseguiram destruir por consequência os sonhos, os desejos, os pensamentos e principalmente a liberdade e a essência do que há de mais divino dentro de cada ser. E nesta ciranda de leis que não estão escritas, mas expressas por vozes imponentes e métodos de castigos dos mais variados o próprio sentido do amor é conquistado antes mesmo do ser experimentar e acaba ganhando um significado muito mais complexo do que de fato este é.
Assim, o que escrevo como simplicidade é a necessidade de refletir como a vida é uma coisa linda e simples e que necessita ser compreendida como experiência individual e partilhada de cada ser. Que as lutas precisam ser cada vez mais coletivas para destruir com esse imaginário construído e sedimentado nos valores de repressão e tradicionalidade que nada acrescentam para a continuidade da busca e reflexão do conhecimento. Isto não significa negar o passado, mas entender que muitas coisas descobertas nesse processo foram negadas do conhecimento alheio e assim feitas para as pessoas não questionarem as conquistas impostas pela forma de poder. Através desta questão posso pensar a necessidade de que as pessoas tem de escrever a própria história de maneiras diferentes. Por isso, as conquistas conseguidas são importantes e não podem sufocar a vontade das pessoas de buscarem novas formas de expressar o próprio sentido de vida e de partilha das impressões do que há de ser melhor.
Conseguiram e já disseram aos quatro ventos que aqui está certo e lá está errado, que o diferente é estranho e portanto, não merce ter direitos. E toda esta oração anterior ainda é presente no imaginário coletivo de muitas pessoas que não conseguem refletir o direito sem ser jurídico da liberdade de vida das pessoas. E na contenta das separações territoriais eu cito um provérbio: - "Do Oriente, a luz; do Ocidente, a lei". (Provérbio latino).
Que a própria consciência nos traga a capacidade de entender que não houve descobrimento, até porque na vida nada é coberto ou ausente de luz e sabedoria e todos os territórios que se tornaram motivos de guerra e disputa foram denominados descobertos a custo de muitas pessoas que ali tinham sua forma de cultivar e cultuar a terra. Assim, a capacidade das pessoas possuírem a necessidade de dizerem que são de tal lugar ou espaço é um fator mais de poder que de identidade. A capacidade de entender o milagre da vida e o mistério da morte também são capacitores deste enigma das conquistas cotidianas que vivemos e nesse intuito há de escrever muita coisa sobre o sentido de se fazer vida e estar em vida como a frase que segue de Woody Allen, Eu não quero me pintar e contracenar com aquilo que as pessoas falam que é a finalidade da vida, e por mais que isso seja transgredir muitas das histórias e revelações contadas, por que não podemos nos permitir a sentir e pensar uma versão diferente da finalidade da vida, do devir, daquilo que podemos sentir como missão cumprida.

Uma característica que foi conseguida é a da segurança e a maneira de tornar as pessoas inseguras. Ou seja, na perspectiva da cultura o medo também é ensinado e muitas vezes colocado na vida humana de forma perversa. Claro que é bem diferente dos medos que temos sobre as formas de cuidado com a saúde ou com o que encontramos de desafios na vida.
As leis e regras em favor da liberdade humana, quando não cumpridas favorecem muito mais a morte que a forma autentica das pessoas expressarem suas verdades. Nesse sentido cabe entender que a literatura em escrever conquista aqui neste texto tem a simples e objetiva pretensão de nos encaminhar para uma postura mais ousada de curiosidade que a omissão de entender as belezas da vida.
eis os versos: -
"Optar pelo amor é a forma mais segura
de galgar passos rumo a compreensão de vida,
porém é preciso muito cuidado
para não se perder no que pensamos
e compreendemos por amor".
adverto... conseguir!
"Dizer sempre as mesmas coisas é ter certeza do que diz,
mas duvida do que ouve".
praticar... conquistar antes!
"Eu pulo, brinco e danço,
mas o sorriso que estampo
é a máscara lapidada
pela falta do esplendor do seu olhar,
pela falta do teu fino sabor
que em êxtase me banha de doçura
e me enche de lágrimas".
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