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Construir a história irracional...

  • Foto do escritor: Poeta dos Jardins
    Poeta dos Jardins
  • 27 de mai. de 2020
  • 4 min de leitura

     Palavras falsas também movem pessoas e transformam ilusões em realidade, ou até a ficção mental em casos do cotidiano. É o que move parte da população a quantidade de falta de conhecimento e credo cego nos discursos sem beleza e poesia que visam lucro a todo custo. O custo é pobre porque a história irracional é fácil de construir quando o único valor pregado é o ódio e a negação. Nesse sentido podemos entender que o caos pode ser construído e arquitetado na vida das outras pessoas. A história tem essa característica de construir a narrativa a partir das pessoas que possuem poder em determinado tempo que as perversidades e os atos heroicos são feitos.

     Alguns pensadores da Filosofia e da Sociologia retratam a comunicação a partir de um olhar científico quando compreendem que uma narrativa abordada por um meio de comunicação se torna comum e repetitivo. Toma espaço na construção do imaginário coletivo e acaba se tornando uma ideia falsa em verdade e em uma prática na sociedade. E dentro da literatura as construções das narrativas dos romances e poesias também tentam incentivar o olhar crítico para como são contadas as coisas. 

     Construir este modelo de história é permitir que os interesses sejam sobrepostos sobre a justiça social, e o diálogo das vontades individuais é muito bem arquitetado em uma sociedade irracional que não se reconhece detentora de menos poder que a classe que possuí bens e pode ter acesso a privilégios. Privilégios que são conhecidos por quem trabalha para informar a sociedade e estar atenta para interpretar e entender os movimentos feitos por quem patrocina a notícia.

      A história irracional é contada por narrativas preconceituosas e que desprezam olhar para aqueles que constroem a história da sociedade bem como a luta dos trabalhadores que edificaram igrejas celebradas, prédios repletos da bela estética, livros impressos, estradas pavimentadas e leis de consciência. A construção de tal história irracional é caracterizada pela narrativa absurda que hoje é verificada nas redes sociais quando o espaço de dialogo se torna um campo de batalha por disputas de razão repletas de incompreensões.

     Leis, formas de governo, métodos de emprego de trabalho geraram na história da humanidade a reprodução da violência em vez de um processo libertador e propício para o conhecimento da sociedade. O próprio exercício do conhecimento na humanidade e na história das sociedades é em tempos limitada a parte da população que é escolhida pelo poder governamental vigente. Nesse sentido a construção da irracionalidade se dá numa sociedade que não agrega valor a prática científica e de conhecimento cultural e partilha do exercício do conhecimento.

      Portanto, este texto também reflete o exercício político da revolução e da desobediência como maneiras conscientes e racionais de não se submeter a opressão e muito menos compactuar com as leis que estão repletas de possibilidades de praticas violentas. Construir a história irracional é pensar que a moral é o motor que move a vida coletiva das pessoas como a literatura cultural e política que todos devem seguir. Pelo contrário o distanciamento da irracionalidade se dá na observação destas leis e a relexão da prática de tais leis. No passado muito se desobedeceu para construir redações de leis que versassem mais pela liberdade e possibilidade do exercício do pensamento das pessoas. Atualmente as leis do inconsciente das pessoas tomadas como verdades espalhadas e compartilhadas nas redes sociais exercem um fator de poder significativo e por vezes maior que a lei escrita nas cartilhas de certas sociedades. Sem poesia o que o poeta e músico Cazuza chamou de burguesia, hoje exerce a função de espalhar textos criminosos sem enredo de valores humanos construindo pessoas raivosas e ignorantes no curso da sociedade. E sem poesia as pessoas são conduzidas politicamente rumo a construção da história irracional que tem no Brasil em pleno ano de 2020 seu exímio representante, o presidente da república.

     Construir a história irracional é pensar que se pode comprar aquilo que é essencial para as pessoas, que pode ser efetuada uma formula de manipular a vontade e interesse de toda a sociedade e prol das vontades e necessidades de poder. Ou seja, a necessidade de aprender a desobedecer e questionar o poder instituído é importante. E construir quando há espaço e lugar de fala em tal exercício do poder abre caminho para uma construção racional da história. A frase que remete a virtude original da desobediência faz referencia a necessidade das pessoas expressarem sua necessidade de construir uma história consciente.    

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Estudar, compreender a ciência e dialogar sobre política são exercícios fundamentais no tempo atual. E retomando a forma como as coisas são escritas no curso da história, é importante estar atento que tal desobediência é lutar pelo lugar e poder de voz.

     A voz desobediente constrói uma história consciente, por isso também se soma a esta contramão da atitude irracional a seguinte sentença: - "A sensação para ser pura e viva, não deve trazer consigo nenhum julgamento, nem ser influenciada ou dirigida, ela deve ser irracional". (Carl Gustav Jung) Isto demonstra que no campo das emoções, paixões e sensações as pessoas devem experimentar a irracionalidade que é inerente ao processo individual, até como um processo de auto conhecimento. Porém, a construção da história é um processo mais coletivo que individual e assim as atitudes apaixonadas e até extremas são entendidas justamente por quem aprende a partir da racionalidade compreender o comportamento alheio. 


Eis os versos: -


"Lembre-se que para abrir a porta do coração, 
é preciso antes conquistá-lo e cultivá-lo como uma flor 
e dá-lhe o impressionante valor do amor".
"Crescer e vencer é o lema de todo o ser 
que pensa e reflete na hipocrisia, 
e viver e ser é o lema de todo o homem 
que sente e reflete como crescer e vencer".
"Sempre ouvi falar
que ninguém voltou ainda para dizer 
o que existe depois da noite, 
mas diante dela eu ouço um: - aí meu Deus!".


 
 
 

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