top of page

Do fogo ao fogo

  • Foto do escritor: Poeta dos Jardins
    Poeta dos Jardins
  • 4 de jul. de 2020
  • 4 min de leitura

     Alguns momentos da vida são necessários para testar a própria forma de encarar os desafios e os dilemas que se iniciam de modo semelhante à finalidade. Nesse sentido a poesia inicia com uma ebulição de sentidos e resulta na expressão quente de palavras, atos e também omissões. Por culpa das forças que se dispõem nos campos da conquistas e também do egocentrismo, muitas vezes não polimos o olhar para compreender que o calor das coisas faz mais estragos que um simples aquecer das ideias. E a culpa aqui não é algo negativo quando se escreve no sentido de buscar além do autoconhecimento uma possibilidade de mensurar as próprias atitudes.

     É fogo ter que se explicar a todo momento da centelha de sentimentos que entram em ebulição e fazem das próprias atitudes caminhos mais espontâneos. Também é difícil mensurar a capacidade que as pessoas tem de fazer de si mesmas um lugar melhor para habitar a vontade de ser mais e também a simplicidade de sentir mais o próximo. Na constância das coisas que as pessoas inventam para si, o calor é o melhor caminho para alimentar aquilo que se quer cozer dentro de si.

     E pensando nas coisas que nos transformamos no percurso da vida a felicidade é um ingrediente importante nessa história toda, porque este ingrediente aparece como aroma daquilo que queremos fazer cotidianamente. E assim nem todos os sabores e aromas estão presentes nas nossas atitudes e tudo se torna cinzas e restos quando não nos policiamos o modo como aplicamos e entendemos nossas atitudes. Porém, quando escrevo isto, não estou me encaminhando para refletir posturas com moralismo. Mas, as posturas que nos levam a testar até onde podemos ir com nosso jeito de ser. 

     O aromas das pessoas que lembramos também é um lapso de felicidade em nossas existências e além das teorias cotidianas de entender o que a sociedade nos proporciona, não podemo destruir como qualquer arquivo a intensão de um olhar ou até mesmo a vibração de um segredo. E do fogo é que lembro quando as músicas que repetidamente me fazem lembrar de um tempo bom eu ouço. E por mais que a vida siga seu caminho rumo a plena finalidade, as lutas e desafios encontrados ainda encantam nesse meu percurso, neste processo de rumar em direção a cor da brasa. 

      Do fogo ao fogo se remonta a necessidade de poder passar dos próprios limites para poder experimentar coisas que ainda não foram vividas. Ir além desta necessidade simples de descrever o que se sente e transcender a própria maneira como a mente e o coração reagem a provocação de quem não podemos ter em nossa presença. Sim, do fogo ao fogo é poder saborear a oportunidade do se... como se a vontade existisse mesmo sem a permissão necessária do corpo e desejo alheio. Do fogo podemos sentir coisas que nunca podemos fazer, porque a moral transforma nosso olhar em motivos constantes de rupturas com a própria essência.

      Desta maneira aprendemos como o jogo das relações e do dia a dia funciona, nesse sentido a exortação de Kafka não significa um conformismo qualquer, mas pretende alertar para a dimensão que existem muros e fronteiras que precisam ser observadas. E neste sentido estou em um momento que a humanidade vivencia experiências e relações das quais meus limites individuais não conseguem experienciar. Da mesma maneira existem forças que derivam do modo de olhar a sociedade e o mundo que nos rodeia e não tem como expressar os próprios sentidos sem observar se estamos sendo vistos. E os olhares das pessoas são conduzidos para esse caminho de vigiar e punir. 

     Nesta fase em que as fantasias de nossas atitudes se contrastam com a própria construção da personalidade o preceito socrático do autoconhecimento vai de encontro a este fogo que consome a aba de oportunidades em vivenciar experiências inesquecíveis em vida. Muitas pessoas não dão a devida importancia para tal atitude de se colocar ao lado do resto do mundo não significa necessariamente estar ao lado da maior parte das pessoas do mundo. Nesse sentido existem fronteiras que nos dividem em diversos aspectos, estas fronteiras não são somente duas ou três, elas se apresentam no campo da vida da mesma maneira que encontrammos barreiras para poder expor nossas decisões e também as inquietações.

     Assim a necessidade de ser do fogo ao fogo significa que não há outro roteiro ao ser a não ser seguir seus propósitos e tentar de alguma maneira concluir aquilo que se pos a fazer em vida. Ficar ao lado do resto do mundo é também ter a capacidade de defender uma postura que muito gosta, mas entender as consequências desta enseada. Como quem tem súplica:   

ree

    "A sombra de Deus é um exemplo que os pássaros utilizam para viver e reproduzir". E por que a sombra não é da árvore? Ou dos arranha-céus e construções do progresso humano? Há o amor e talvez o ser é um bem comum que auto se apropria como ser incomum".

     Nesse sentido um fogo e um verso caminham no mesmo sentido que inevitavelmente olhamos para o diferente com resto ou como aquilo que sobra  (no  sentido de falta) para a nossa compreensão. Do fogo ao fogo quer dizer aprender sempre.


Eis os versos:


"Lentamente o fogo me queima 
e os sentidos meus vão extinguindo-se, 
e pela ordem natural das coisas 
eu morro. 
pois o fogo só acaba 
quando me deixa em cinzas. 

Porém, eu não desisto e tento apagar esse fogo. 
Antes que ele me apague".
E a sombra de Deus é um exemplo 
que os pássaros utilizam para viver 
e reproduzir".



 
 
 

Comentários


  • Instagram
  • Facebook
bottom of page