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Doar-se e lutar sem armas.

  • Foto do escritor: Poeta dos Jardins
    Poeta dos Jardins
  • 21 de ago. de 2020
  • 4 min de leitura

       Alguns valores que escrevo são pouco contestados, justamente por que não são lidos, mas entendo que estes são praticados na vida das pessoas com suas perspectivas particulares. Os valores essenciais da vida como amor, carinho e cuidado são muito significativos para que o ato da doação adquira sentido. Portanto, os valores promovem diálogo e nestes não existem armas porque a função essencial das palavras não está no sentido de ataque ou defesa, mas sim da comunicação e tão somente ela como capacidade humana e até não humana.

      A poesia que escrevo, por muitas vezes pode representar um ataque ou até uma ação de insatisfação, mas preciso imbuir o processo de entendimento da narrativa de denúncia como ponto principal deste escrever. E este escrever versos que denunciam problemas que consigo sentir representam o que consigo enxergar como luta. Sim, a luta tem sua característica associada ao senso comum e é representada por conflito ou embate. Porém, a atitude de lutar persiste também em um senso e olhar de denúncia quando o universo das relações sociais que se apresentam. Denunciar não se exime da atitude de julgar e é neste sentido de que a doação se apresenta como um caminho inverso a autoridade de apontar os problemas existentes e dos outros, para uma ação que aponta tal problema, mas se coloca a serviço e auxílio.

         Doar-se e lutar sem armas é uma expressão de constante reconstrução porque nela esta o significado da pratica da paz que exige de cada pessoa a consciência do auto conhecimento e disponibilidade de estar a serviço do próximo. Doar é agir e negar a necessidade de utilizar instrumentos para qualquer finalidade, por que em muitos casos esta atitude adquire uma proposta cultural com símbolo de reciprocidade diferenciada. Por exemplo, as pessoas que se doam sem receber nada em troca imprimem no processo de reciprocidade o significado de denunciar e apontar os problemas e limitações para então colocar se a serviço para construir de modo individual ou coletivo. Necessária é a doação como forma de luta que encontra seu maior efeito quando as pessoas doam de si e de sua capacidade de diálogo para a busca do conhecimento.

         Doar e lutar não são dois significados em vida que se excluem e repelem, nesse sentido são significados que se complementam e ressignificam os sentidos individuais de cada palavra e em diversas perspectivas culturais que se constrói a noção da mesma. Doar se em prol de uma causa ou objetivo não se reduz ao processo ideológico que é comum a toda atividade humana. Mas com o passar do tempo e da capacidade de estar sensível aos diversos conhecimentos daquilo que analisa como a vida ocorre, ocasiona um processo criativo gigantesco no agir cotidiano. A expressão seguinte traça com clareza estes atos complementares: - "O problema não é inventar. É ser inventado hora após hora e nunca ficar pronta nossa edição convincente". (Carlos Drummond de Andrade).

         Doar-se é abrir a boca, é rascunhar palavras e soltar do processo sensível individual a capacidade de enxergar o que existe além de si mesmo. Doar-se é lutar, por que o sentido da vida está em escrever a própria história desenvolvendo o processo criativo. A invenção de si mesmo passa por diversas edições e esta é uma luta digna com o que o próprio sentido de vida nos remete pensar e agir. Algumas teorias de luta e resistência em prol da dignidade humana foram escritas por personagens históricos que utilizaram armas que não eram as palavras para desempenhar revoluções, ideais políticos e concepções de mundo. Neste sentido, as pessoas que expressam apenas uma forma de luta não conseguem deixar um legado para posteridade quando não desenham seu modo de luta e deixam inventar hora por hora sem escrever uma edição convincente. Muitos personagens na história da humanidade tentaram publicar suas versões convincentes e conseguiram ser lidos.

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      A afirmação de Victor Hugo vai nesse sentido porque não se busca a perfeição de uma narrativa inventada no curso das lutas e promoções de dignidade humana, mas se referencia a capacidade das pessoas de não se conformarem com estas invenções que sem o sentido de doação, acaba se transformando em um sentido de opressão.

Vivem somente os que lutam, porque as palavras imprimem no decorrer da história um caminho eficaz para se referenciar a própria necessidade de doar-se e lutar pela justiça, pela saúde, educação e todos os movimentos que asseguram a própria vida. 

       Para justificar isto, muitos personagens históricos pegaram em armas e não em palavras para demonstrarem suas lutas baseadas em Marx, mas em uma obra do próprio autor que merece aqui ser citada como fonte deste valor há o retrato que a verdadeira revolução (luta), passa pela consciência de classe que é a força capaz de construir edições individuais e coletivas de luta e sentido de vida. 

Eis os versos: - 




"Não convém amar as pessoas 
e trocar valores por causa dos erros premeditados, 
o que convém é construí-los 
e partilhá-los cada vez mais"

porque: "O amor nasce como um rio 
e se estende a vida inteira 
enfrentando as barreiras de seu percurso 
para entrar em plenitude com o inteiro mar".

na bússola do que se escreve
"Apontar uma ideia é refletir 
a escolha entre o bem e o mal, 
e ali existe o poder contínuo do amor 
que envolve o ponto de partida e chegada".

inventar e reinventar
"Começar do zero e viver bem 
é felicidade que altera ativamente 
na canção pertencente aos nossos sonhos".

 
 
 

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