top of page

Fazer o que mil exércitos não fazem.

  • Foto do escritor: Poeta dos Jardins
    Poeta dos Jardins
  • 27 de jun. de 2020
  • 3 min de leitura

No mundo dos sentimentos das pessoas existem batalhas travadas que não derramam sangue e abrem feridas físicas. Por isso, que as lutas internas são as mais intensas e dolorosas justamente pela necessidade das pessoas buscarem sentir a felicidade e os valores que são essenciais para o próprio equilíbrio emocional.

O problema inicial é que esta batalha a ser travada esbarra na imagem que projetamos das coisas que queremos e colocamos todas as intenções. Nesse sentido o poder da luta do que é interna exibe uma potência muito maior que a força bélica. Até por que em uma guerra de soldados e armas a morte e a destruição por vezes são instantâneas e não produzem a continuidade da batalha. Já a luta para entender o porquê nos deparamos com determinados sentimentos é o que nos faz refletir que a luta cotidiana que chamamos de simplicidade é mais árdua e complexa do que transparece ser.

Muitas das resoluções na vida não são feitas com barulho ou propagandas que chamam a atenção, mas antes são a eficácia do colocar se em silêncio e refletir a própria existência. No silêncio os pensamentos e lembranças passeiam pelas experiencias boas e não tão boas no sentido de nos mostrar bem dentro do processo reflexivo, o caminho para resolver melhor o que aflige e nos fere.

Assim é importante que se reflita a necessidade de respeitar os sentimentos e também a forma como as pessoas atribuem as próprias identidades aos entraves com as pessoas e a maneira como enxergam a própria existência. É no silêncio que fazemos cantigas de rodas com todas as coisas que queríamos conquistar e ficamos brincando de projetar em outros objetivos alcançados ou pessoas que se apresentaram no curso da vida.

Não há problema em ter medo das coisas que se apresentam na vida, mas um medo significativo é aquele que se apresenta no momento em que refletimos as batalhas que ainda temos que travar em vida e principalmente com aquilo que construímos em nós mesmos. Por isso, fazer o que mil exércitos não fazem significa silenciar e resolver na forma mais eficaz os problemas, sem precisar se violentar e travar com coragem uma batalha tão dura que muitas vezes é perdida justamente por causa da fraqueza do que se alimenta na mente. Fazer com que os pensamentos e os sentimentos se comuniquem e decifrem a capacidade genial e humana de criar momentos de reflexão e sustento da coragem de viver.

O medo também é uma força interior que exerce muito poder sobre o universo que nos cerca. Por isso, desconstruir esta força é um processo necessário na dimensão da vida humana e da capacidade de encontrar o belo. A repetida medida das teorias filosóficas de encontrar o belo encontram nesse modo de ser mais poderoso que qualquer força e estratégia de exército é fato quando podemos encontrar força no silencio de exercitar a simplicidade do auto conhecimento.

Batalhas essas de tantos retirantes, imigrantes e pessoas repletas de raridades que encontram no preconceito o conceito violento de não silenciar e apontar no outro e outra o erro. Mil exércitos de luzes coloridas e tão iluminadas não são mais forte que o silêncio de uma sanfona num beco escuro a meia luz que toca uma canção de lembrança e sofrimento. Batalhas que como consequência falam da súplica por pão e dignidade, pela batalha interior de ser quem é e poder cantar e dançar com alegria os louvores de sua identidade. Mil exércitos não podem obrigar que as pessoas idolatrem suas referências, seus sonhos, seus desejos e principalmente a imagem genuína de serem elas mesmas.  

ree

Clarice Lispector é reflexo desta referencia que ultrapassa a necessidade das linhas dos livros e da literatura quando podemos ler e inevitavelmente nos deparar com nosso próprio jeito de ser. Há provocação nos versos que não são provocados em nenhuma outra esfera da dimensão humana. E neste sentido a causa da guerra interior nos faz movimentar e principalmente aprender o processo da auto crítica que é tão necessária para encontrar forças para viver a vida. 

Eis os versos: - 


 "Lembrar de um amor é bom mas, 
fazê-lo bater realmente num peito sereno e sincero é muito melhor, 
por isso um coração deve se colocar sempre em sentido de aceitar".
e no silêncio realizar suas batalhas .
"Cobrar é fácil, difícil é manter o amor em cobrança 
e em balança e sonho de uma nova era".
Mensurando as vitórias e derrotas,
"Dois homens viajam para uma nova terra em busca do sonho, 
é a vida nordestina que se torna paulista em pau de arara, 
se um sobrevive é que a vida venceu a morte".

 
 
 

Comentários


  • Instagram
  • Facebook
bottom of page