Luta pela terra prometida
- Poeta dos Jardins
- 14 de dez. de 2019
- 3 min de leitura
As vezes proseamos em nosso cotidiano sobre o valor da vida e principalmente sobre a importância de cultivar raízes por onde passamos. Isto significa cultivar amizades, construir uma casa e valorizar os amores que conquistamos no decorrer da vida. Sim, amar alguém e deixar se ser amado é uma conquista na dimensão humana do afeto. Muitas vezes pensamos e cremos que não podemos contribuir para a vida e para a maturidade afetiva do próximo, mas esta é uma reflexão complexa pra este momento, entretanto as relações sociais a que nos submetemos nos transformam em lutadores do cotidiano.
É do chão cultivado e dos nutrientes da terra que brotam e são servidos para a existência os frutos e dons necessários para dar passos corajosos na vida, e possivelmente pode soar estranho escrever dons e alimentos na mesma frase ao citar a terra como espaço de reflexão. Portanto, é importante salientar que para cada passo que damos precisamos criar contato com a terra e com aquilo que é mais sagrado para cada um de nós, a vontade de ser apenas pessoa que cultiva todas as dimensões da vida. Nesta existência buscamos compreender e encontrar um lugar para chamar de lar, assim a construção de uma casa passa por esta noção de evidenciar as preciosas referencias que temos oportunidade de efervescer em nossas vidas.
A dignidade da humanidade está em um pedaço de chão que seja capaz de germinar e frutificar os sonhos que permeiam a vida de qualquer pessoa, nesse sentido lutar pela terra e pela distribuição de terra em um sistema excludente e que não promove a solidariedade de partilhar o pão e muito menos o direito. Favorece que as pessoas estudem sua própria condição e se organizem para lutar por melhores maneiras de se fazerem ouvidas e protagonistas de justiça. Assim a construção da dignidade passa pela luta de um lugar desejado, e a terra prometida é este espaço que exige luta para que os sonhos mais preciosos de cada ser humano seja realizado.
Realizar sonhos é um lugar em tempo e muitas vezes sem espaço que gera sacrifícios, principalmente para determinado grupos de pessoas que estão sobre a alcunha do egoísmo e da ausência de partilha de justiça. O Estado em que vivo é excludente porque concentra grande parte de terra nas mãos de uma única pessoa enquanto milhares de pessoas não possuem a oportunidade de ter uma terra para morar e construir seu lar. As desigualdades cotidianas inserem e dizimam os pobres, bem como decifram estruturas violentas por causa do valor privado da propriedade que por si é um instrumento da intensificação da desigualdade. Contudo, lutar pela terra prometida é entender estes problemas e os transformar em chances reais de cultivo de felicidade e alegria. Ao conjugar fases de entendimento das dimensões solidárias da vida justa se faz necessário compreender que falar e explanar as desigualdades e lutar contra esses fatores que violam as leis são atos de amor e poesia no cotidiano.

Na terra prometida se faz poesia, se escreve e sonha
portanto,
"Beber vinho demasiadamente
é como tomar seu santo nome em vão
ao deliciar-se das delicias dos Deuses".
Por isso, lutar e saborear a vitória é como uma celebração transcendente
assim... "O tempo passa e me sinto cada vez mais envolvido com o passar da minha vida
do que com a realização do tempo".
por que minhas palavras se aproximam da verdade
da militância necessária, da justiça do oprimido.
"Nos sonhos meus, você está sempre presente
e a cada dia me cativa num ar de alegria,
é a bandeira hasteada no território ocupado
que presume os anseios misturados as minhas virtudes e conhecimento,
com a consciência política e tranquila eu desabafo e por isso durmo!";
e na raiz da luta e da conquista
"O céu enfeita de uma densa camada e procria a viciante ideia de misturar as cores
e torná-las cada vez mais bonitas e surpreendentes".
com o vermelho forte dos mártires,
com o vermelho forte das lutas,
com a terra prometida da justiça.
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