Língua divina, consciência humana.
- Poeta dos Jardins
- 11 de mai. de 2020
- 3 min de leitura
Como língua divina e na modesta forma de escrever minhas palavras eu me aproprio da seguinte cronologia: a poesia existente antes de Camões e depois de Camões. E nesta temporalidade fica mais difícil de compreender o imaginário do transcendente e do amor porque os versos rimados e versados e perpetuados de regras e leis deram lugar ao suprassumo das barreiras do desejo em cada sílaba em papel escrito e lido. Não faço nenhum tratado linguístico e muito menos uma análise séria sobre a cultura da escrita, mas faço com liberdade a maneira como a lira e o soneto obtêm respostas cotidianas para as aflições e inquietações da alma humana.
O tempo anterior foi importante por que há inúmeros ensinamentos a consciência humana e em diversas línguas que este texto está mais para o sentido de tentar homenagear uma referência que ser ter um sentido crítico literário. Portanto, a língua divina é aquela que pode ser lida e pode ser transmitida por pessoas sensíveis que compreendem a competência de vivências, sejam estas tão distintas. A língua divina é um exercício para tentar chegar aquilo que as próprias palavras não podem explicar, apenas simbolicamente apresentar. Assim a verificação da fonética e do conjugar dos verbos decifram instrumentos tão preciosos que escrever é uma técnica que ao ser lida e entendida possui a função de um portal de sentidos.
A consciência é um instrumento imprescindível para existir, que tal função não pode ser comprada e vendida e a cada momento pode unicamente ser reconstruído. É com este sentido que a língua divina é encontrada no tempo após Camões em que os versos puderam cantar e contar com o amor mais essencial com as referências de cartas religiosas. As frases que se exibem em um soneto, por exemplo, tentam amparar o sentido do amor em sua essência. E a atitude humana em transmitir essa sentença para os outros é de valiosa importância para que a humanidade continue acreditando no amor. Conjugar a prática do amor também pode se encontrar na literatura, justamente pela feliz competência de colocar no papel a consciência humana de uma linguagem divina que se dá de forma tão rápida e instantânea na individualidade que precisa ser externada.
Um ode a cultura poética que expresso não quer relativizar as diversas outras culturas de escritas que se exibem no processo artístico e humano. Não descrevo este tempo pós Camões como a verdade e a perfeição, mas como caminho para entender a candura, o desejo, a paixão, o instigar vísceras e principalmente a própria criatividade. Quando percebemos que algo toca o coração e a alma e precisa ser expresso, entendemos que a língua divina também está expressa na linha rabiscada e também na língua dos anjos, dos deuses, das entidades e dos entes que se encontram em outra dimensão que ainda não chegamos e nem entendemos. Descrever amor é firmar compromisso e demonstrar saudades, apresentar a consciência as marcas que as pessoas deixam nas vidas umas das outras.
Com Camões aprendi a escrever versos, escrever cartas e também a escrever as escolhas da minha vida no coração das pessoas que são muito importantes para mim. E como um blog eu tento sair da pessoa indefinida descrita para encontrar a primeira pessoa que conjuga as palavras. Este é um exercício atual de desapego a referencia deixada por Camões para também falar de amor e principalmente falar dos versos proféticos de quem tem fé na humana consciência quando esta é inteligível e feliz.

Por isso, que algumas sentenças valem a pena serem relembradas. A forma como a fé se transforma em atitudes e características de solidariedade se solidificam como esta linguagem dos anjos. A função como o amor é conjugado na vida das pessoas é ressaltado como desafio de aprender e lutar pelos próprios desejos. Contudo, o desejo da felicidade deve ser provocado também com linguagens corporais e principalmente com atitudes que o cotidiano expressa ausência. E assim os versos pós Camões exprime também as diversas doutrinas que adentram ao sentimento humano para tentar melhorar as próprias atitudes em relação as outras pessoas. Este tempo de ser amor não admite a violência, a supressão da identidade do próximo.
Ou seja,
"Deus, língua divina
do sabor que revigora meu futuro em ti,
os sonhos que me preenchem de tua divina existência
vem do rosto do irmão".
"É um grito oprimido que ressoa
diante do mundo pelas pessoas que choram
e versificam o sofrimento de uma guerra por reais consumistas,
por isso a justiça do sentimento é desigual".
"Organizar é mexer nos pensamentos
das coisas que nos organizam em sentimento",
desestabilizam os olhares e os versos.
"A poesia não é apenas um agrupamento de frases,
mas sim um verbo preso no sentido pessoal"
na consciência humana.
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