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Matando o tempo no nosso Brasil.

  • Foto do escritor: Poeta dos Jardins
    Poeta dos Jardins
  • 20 de abr. de 2021
  • 3 min de leitura

Escrevo palavras passadas, para tentar traduzir a dor presente de tanta morte e tanto descaso. Hoje no Brasil, a dor da espaço para o jeito político da ignorância, e do caráter que se sobressai a ausência de olhar o próximo. E quanto mais acelerado passa o tempo, mais pilhas e pilhas de corpos são enterrados por uma doença e também pela falta de humanidade do governante federal da nação. Há um misto de sentimentos e inserções de argumentos de cunho político, mas o que quero escrever nestes versos é um pouco daquilo que é inevitável para cada um de nós.

Nos permitimos viver com essa dúvida impiedosa de saber qual será a próxima pessoa nesta dura estatística, e compreender quando as pessoas que estão nos representando, serão fortes o suficiente para derrubar o poder instituído para poder darem-se as mãos e construir o diálogo e também a saúde e o direito para as pessoas. Hoje, nestas palavras os versos devem ser do olhar para a realidade, para aquilo que sentimos como dor que se avizinha na perda alheia e na perda de nossos próximos. A má gestão dos bens públicos alinhada ao sentido de desejar o dizimar das pessoas, faz com que possamos entender que o ser humano também provoca a própria morte e a própria supressão das condições de existência.

Muitas pessoas não conseguem mais rir, falam com a força da dor dentro dos seus corações, por não acreditarem que uma doença e um descuidado pudesse ser de forma tão letal, a causa para levar para sempre as pessoas que aprendemos a amar, e nos sentimos amados. É assim que se traduz a forma como qualquer ação política com desejo de varrer o diferente da existência, consequentemente permitir as evidências dos passos e espaços que se perdem no tempo.

Hoje as palavras estão sem floreio, porque a política aplicada é genocida, mata sem piedade, esbraveja a qualquer custo e semeia ódio por onde passa. E nesse sentido qualquer pessoa que viva neste lugar está a mercê deste sorteio ao qual a doença não escolhe pessoas e preferências, ela simplesmente se instala e desfalece o ar que respiramos, assim como o líder das ações que podem ser feitas, desfalece a capacidade de acreditar na diminuição de mortes e contágio diante da pandemia mundial.

Na política todos temos o mesmo ponto de partida, mas os percalços encontrados no tempo nos fazem pensar na morte e na supressão dos próprios sonhos, desejos e vitalidade. O tempo nos mata de fato, como expressa Spencer, mas se o caráter evolutivo que ele quer dar para esta afirmação, vejo como o tempo também é construido pelas pessoas e está muito mais para uma caminhada com diversos percursos, do que uma escada que nos leva a um ideal que não conhecemos muito bem. Assim, a humanidade se reserva ao tempo o querer ganhar dinheiro, produzir coisas que logo em frente não serão mais úteis, em olhar para o acúmulo dos capitais materiais, porém sem tempo de capitalizar, olhares, sentidos, vivências, reciprocidade e principalmente o sabor da vida.

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Este é o tempo de pensar no ponto final desta trajetória da vida, de se preparar com cuidado e com a certeza de que existem pessoas que representam o desejo da ruptura precisa com a existência. Existem pessoas que semeiam sentimentos que nos extinguem e também nos conduzem ao caos e ao sofrimento.

Em nome da ignorância, no percurso da vida as pessoas são levadas a acreditar nestes discursos baratos e sem poesia, nesta face nefasta que mata, mente, fere e regozija com o poder que tem.

É preferível 'perder' tempo se for possível, por que os que prometem o absurdo estão nos matando com o tempo. E o tempo é inimigo da perfeição, é criatura que agente não entende muito bem por que se alinha, ou se reinventa.

Eis os versos:



Quero morrer, 
e se algum dia meus sonhos forem contra esta ideia, 
quero apenas dizer a ele 
que tudo que fiz até agora 
foi para alimentar a vida.

Como posso viver, se não tenho direito a vida? 
sei que tenho que lutar por ela, 
mas minha família não existe 
e cada vez que penso na minha existência 
eu choro.

é bem verdade que o dinheiro que recebo 
é bem mais importante do que o meu nome, 
os meus atos e os meus valores. 

E é muito triste saber 
que só existo para trabalhar 
para o gosto de pessoas, 

não tenho o direito a fala, 
porque se falo, 
logo sou maltratado 
e açoitado.



 
 
 

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