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Mentiras sinceras não me interessam.

  • Foto do escritor: Poeta dos Jardins
    Poeta dos Jardins
  • 19 de fev. de 2021
  • 3 min de leitura

Assim que o dia desperta queremos mentir que estamos despertando, resolvendo os dilemas mais importantes de nossas vidas, mas o que de fato ocorre é que durante todo o dia acordado após uma boa noite de sono, o que realmente importa é encontrar com a própria verdade. Um dia é muito pouco para se deparar com a quantidade de mentiras e enganações que criamos dentro de nós mesmos, e assim como a metáfora analítica da cebola, demora um tempo para despertar para a vida, por que cada casca deixada de lado significa uma carapuça que cai e nos encaminha para o despertar.

Nesse sentido, o cuidado consigo é o melhor modo para que a sinceridade caminhe para o oposto da mentira, e é importante argumentar com base naquilo que eu escrito, na primeira pessoa do singular sinto: - Que a verdade diferente da mentira, abre o sentido da verdade do ser e é por si mesma que esse desvelar das mentiras acontecem. Por isso, as mentiras sinceras não me interessam, como já cancionava Cazuza.

Inventar palavras inexistentes é possível, mas inventar e criar fatos que nunca foram saboreados e muito menos degustados é um sacrifício desnecessário com a própria sensibilidade. E escrevo essas palavras porque pensei na minha ignorância e insensibilidade que poderia um dia mentir com sinceridade. A sinceridade muitas vezes na não objeção do próximo e da próxima em compreender o quando de verso ainda falta degustar na própria caminhada da vida.

A verdade é um caminho perene, suave e que exige dedicação, porque ativa a característica da observação como um caminho repleto de perspectivas que a mentira nos impede de enchergar. A atitude de escrever é um percurso sem volta porque obriga a tomar a mentira como um recurso que desconstrói o sentido do que é expresso. Assim, a leveza que reescreve a vida é um tema tão próximo ao autoconhecimento, que o exercício de conhecer se é um ajuste que precisa ser feito, quando nos sentimos despertos para escolhas e decisões.

A arte não pode ser categorizada como um fingimento ou criação mentirosa daquilo que está pulsando no âmago mais importante das pessoas. Observar a vida pela janela, o movimento da natureza, a percepção dos sentidos é um caminho para poder conectar a própria verdade com o modo como entendemos a existência. Nesse sentido a releitura das perspectivas é um sinal raro e belo desta conexão com a existência. A imagem é uma releitura de EDGAR DEGAS (1834-1917) | Paysage d'Italie vu par une lucarne

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As mentiras sinceras não me interessam e para quem tem a sinceridade de ler estas palavras desencontradas, pode perceber que tenho ainda mentiras que precisam ser deixadas de lado. Por isso, a frase de Werner von Braun é essencial para caracterizar que sinceridade e mentira não cabem na mesma oração (seja esta qual for).

As forças que constroem também podem destruir, e a sinceridade é uma força importante na vida humana, porque versa na confiança com as outras belezas e raridades, favorece o processo de escolha e valores que cultivamos dentro da própria vida. E neste percurso, as forças naturais são possibilidades de encontrar a confiança, mas com a verdade e não com a mentira. A força natural pode construir ou destruir, cabe a sensibilidade de descrever o processo de sentir e transparecer a verdade nos versos e atos. Atos que tento decifrar em versos...

Eis os versos:



O objetivo de um homem é contemplar a razão como método de suicídio
Verbos são conjugados nos tempos mais impressionantes de uma grande gramática, 
 por isso eles passam rápido

Quem me leva a um mundo melhor? 
O que dizem ser verdade... 
Ou a verdade dos meus sonhos? 

Prefiro contemplar a beleza do meu sonho 
e por em prática, 
do que pensar na prática que pode ser inacabada.

Mentiras sinceras não me interessam 
e não fazem parte do meu vocabulário.
por que eu sei mentir pra mim mesmo, por isso escrevo!



 
 
 

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