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O mito da nacionalidade.

  • Foto do escritor: Poeta dos Jardins
    Poeta dos Jardins
  • 4 de out. de 2020
  • 6 min de leitura

Como acatar a noção que pertencemos aos limites e fronteiras instituídos sendo que não damos conta de ostentar nossas próprias barreiras culturais. A pergunta a ser feita é: - o que é o mito? Mito é a lembrança fantástica do que já esta morto, mas no tempo presente ressurge como serviço do mundo dos mortos para assombrar a realidade e a existência. E o mito para ser bom ele precisa estar acabado, finalizado e com as considerações finais de sua história. Neste sentido há um mito da nacionalidade que sobrevoa o imaginário coletivo como pertencimento de um momento que estava enterrado superficialmente no nosso pensar. Porém, estas narrações estão mais vivas e mais presentes do que nunca. Assim cabe aqui pensar o que leva as pessoas ressuscitarem ideais e preceitos mortos para a vivência da humanidade? Será que estes preceitos se manterão vivos nas pessoas que resistirão em demarcar fronteiras de uma para as outras no sentido de descrever a vida e o enredo da encenação da história as suas vontades? Existe um caráter que afoga a poesia em um sintoma patológico por que coloca a ordem como premissa de um ganho que se distingue do senso crítico da população e assim não há poesia com o modo como este pão de cada dia é partilhado nestas linhas tão repletas de orgulho nacional banalizado.

Este texto pretende descrever a nacionalidade em três pontos distantes daquilo que se debate na academia e bem perto daquilo que os desafios e limites da pessoalidade conseguem enxergar neste cenário todo das tradições que são plurais, e não genéricas. Desvendar a palavra mitologia como algo que deve apenas alimentar exemplos já não vivos também se faz necessário para encaminhar o processo de relação entre nação e ideal de vida comum. Nesse sentido a nacionalidade é aprendida quando perfilados com uniformes brancos e calças azuis ficávamos ao sol da metade da manhã cantando um hino que nada fazia sentido para a vida a não ser a oportunidade de decorar palavras difíceis. É com o tempo e com a repetição das coisas que dizem e ensinam nos bancos escolares que entendemos de fato o que as palavras querem dizer para gente. Brava gente brasileira, que não vai muito longe e já garante a participação política por uma milha de tijolos para a sua humilde residência. Esta é a nacionalidade que permite enredos mitológicos e repetitivos durante os tempos da organização estatal e política. E como isto tem relação com a construção da noção de nacionalidade, é pelo simples fator de organizar a possibilidade de gerir um sistema que de progresso só há o benefício da propriedade privada sugando da propriedade pública.

Não dá para julgar a necessidade do/a trabalhador/a quando percebe que os esquemas de compra e venda são elencados como condição para se organizar um poder público, o que se pode verificar é a capacidade que as pessoas são submetidas para não poderem sair do lugar. E neste sentido é preciso verificar algumas coisas escritas no conceito de centralidade de pauta e condições sociais. Assim percebe-se a capacidade que os limites impõem na geração humana que quer ser mais que uma fronteira e um limite e a nacionalidade não agrega, mas imprime um conceito de divisão muito bem traçado. As relações humanas na concepção nacionalista podem organizar leis e regras para a dignidade humana da população circundada por estes limites territoriais e culturais forçados, mas não é possível que exerça o bem comum diante de um sistema que divide a humanidade em quem exerce força e quem lucra com toda ação. A força permite que exerça a ação "Capital" para a humanidade e o mito entra neste sentido trazendo a mortalidade da origem da força do Estado, dando lugar a um imaginário repleto de enredos e narrativas falsas para deixar os protagonistas em seus espaços de invisibilidade.

"O Brasil é um sonho inacabado, pois é um pais sem futuro premeditado, o Brasil é um pais diferente do destino, ele é igual as surpresas". É assim que o mito da ordem e do progresso exercem fundamentos de ação política e social perversas em detrimento da vontade das diversas vontades da população. O progresso arde em chamas com a própria natureza que é referendada no discurso da matéria prima e na tentativa de ludibriar o produto do capital a partir da infinita força humana dispensada para manter apenas uma pequena parcela da população. O mito da nacionalidade se esconde nas representações das cores da bandeira nacional e na narrativa oposta ao sentido universal do direito de que é necessário se apropriar dos símbolos e também da identidade, assim o mito da nacionalidade cada vez mais impregna um sentido genérico e possessivo dos sentidos de Estado.

Nesse sentido os símbolos são recentes e não emitem um caráter de tradicionalidade e originalidade quando observamos a simples comparação de que Brasil se refere a origem do nome na língua portuguesa de uma árvore cujo produto de tingimento da cor Vermelha não é simbolizado em seu objeto de maior representatividade. O nome Brasil não pode morrer nas instâncias da palavra ordem e progresso do qual predizem uma evolução de comportamento científico e cultural que não responde a necessidade do povo que expressa sua cultura, seus cultos, seus jeitos e nas infinitas manifestações que conseguimos enxergar e experiência no estado brasileiro.

A frase de Ravel é muito sábia por que a tradição tenta eliminar a pluralidade do conceito de cultura e tradições no plural, elaborando assim campo para se criar opiniões públicas que direcionem dois momentos distintos de identidade. A crítica ou a cegueira! É neste momento que a crítica exibe um processo de distanciamento da imbecilidade por que a construção dos mitos cotidianos se dá pelas lendas contadas no cotidiano, mas que não refletem o cenário dos jogos de interesses, é uma tela da qual se colore apenas objetos que precisam ser evidenciados e não aprofundados. A crítica insere um ponto de interrogação no sentido mitológico que narra, constrói e oportuniza que setores destrutivos da sociedade nacional continuem o projeto de auto destruição. Toda violência legitimada e rotulada de boa é passível de estar fadada a por bem eliminar o diferente. Nesse sentido a cegueira é extremamente necessária para aqueles que desejam alçar o poder e lucrar da força alheia como bem entenderem.

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A crítica cria a poesia e liberta o pensamento trazendo a dúvida até os mínimos detalhes sem precisar encerrar o sentido tão importante da curiosidade, por isso, "Pontos de serenidade absorvem o puro e suave sabor da vida e dos sonhos".

E a personalidade dos imbecis se trans-veste de máscaras, cores, múnos e outros elementos para continuar o processo de vendagem do olhar da população. Impossibilitando que a grande parcela da população alcance os bens e serviços e principalmente elaborem e exerçam projetos de vida.

A personalidade dos imbecis transformam a informação em máquina capaz de traduzir a ignorância por completo por que o interesse do poder nas entrelinhas das fronteiras é continuar desenvolvendo formas de esconder o quanto se lucra e se beneficia estar no poder público e destruir poder público. Hoje a tradição dos imbecis é espumar pela boca palavras que se distanciam do diálogo, da valorização, da nacionalidade e da poesia. As bocas nas pontas dos dedos em contato com as telas de smartphones e teclados de computador estão compulsoriamente vomitando palavras sem refletir, como elementos repetidores de informações que inserem a cegueira como ponto de partida. Alimentando assim elementos tidos como mortos e hoje mais vivos por conta a quantidade de ausência de crítica, cultura, caráter e critério.

Portanto, não dá para comemorar independência quando por conta da tradição da minoria populacional brasileira se doutrina que o povo deve pertencer a uma religião, a um ideal político e a uma conduta limitada e que humanamente falando é possível viver fora das fronteiras. A poesia passa fome com a mitologia, ela precisa estar no seu devido lugar, não fora deste lugar. As tradições possuem outras origens, das quais os mitos nacionais não se movem para refletir e explicar.


"Lembranças de um dia que marcou realmente o coração,

são fatos e relatos da existência da felicidade".

e no cárcere primário

"Contribuir para um bem comum

é viver comunicando sempre os sentimentos

com a vida que atribula em fatos a ordem do amor".


Consciência para a classe,

ser ciente.

"Longe dos mares está o desbravador"

 
 
 

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