Ofereça conhecimento!
- Poeta dos Jardins
- 27 de jun. de 2020
- 4 min de leitura
Algumas pessoas não entregam nada de si, e outras entregam até o que não tem. Mas, todas as pessoas emprestam algo uma das outras na caminhada da vida e que se torna precioso e ao mesmo tempo necessário para a continuidade da existência. Um exemplo disso é que todas as doutrinas transcendentais sem exceção a regra apresentam comparações materiais aos valores de caminhada na vida humana para tentar traduzir a atitude do acreditar.
Oferecer conhecimento não é um privilégio reconhecido apenas aos professores e pessoas que leem amontoados de folhas de palavras que modificam as práticas de vida. Está mais pra gratuidade espontânea de poder olhar o que está a frente de seus corpos e existência e sentir ou pensar que aquele ser ou objeto tem um sentido. O conhecimento por exemplo, pode fazer com que essa espontaneidade de transmitir informações e linguagens obtenha o poder de ser entendido de maneira específica ou complexa.
O conhecimento é um poder simbólico e não querendo referenciar nenhum teórico do pensamento e dos jogos dos movimentos na sociedade. Oferecer conhecimento específico ou complexo é necessário e também essencial na vida humana. O poeta se enquadra nesse grupo espontâneo de múltiplos artistas e artífices das linguagens que oferecem conhecimento tanto específico ou complexo, justamente porque os versos são como um telescópio capaz de traduzir imagens de luzes distantes como a fração do tempo que estas imagens são captadas pelo modo natura de ver as coisas.
Oferecer conhecimento também não pode ser afirmado como uma imunidade ao sentimento de ódio ou tesão, amor ou omissão e até inteligência ou ignorância. Portanto, na escola da vida há uma única condição que faz com que a humanidade se depare com a não oferta do conhecimento. E esta condição acontece quando o ser em decorrência de questões de ausência de auto conhecimento e pratica de sensibilidade ao outro ou outra, nega se de tudo e de todas as coisas que se apresentam na vida. Essa tipologia se exibe, por exemplo, quando a crença não é compreendida como um percurso em que existem sentidos de valores e praticas destes valores nos exemplos das narrativas elaboradas para se chegar ao exercício da sabedoria. Ou seja, não oferece conhecimento quem ignora a própria partilha do conhecimento.
Portanto, a sabedoria é um caminho possível quando há uma pratica cotidiana e refletida dos conhecimentos partilhados e dialogados em nosso dia a dia. Existem diversas dimensões na vida humana e todas estas exalam oportunidades de conhecimentos. Por isso, a necessidade de se escrever sobre a oferta de conhecimento é um caminho que os versos rimados imploram aos humanos. Versos oferecem o conhecimento dos detalhes de um toque, de um cheiro, de um sentido, de um olhar e de todas as características atenciosas que exercemos na vida quando nos deparamos com o que nos chamam a atenção.
Oferecer conhecimento também é narrar a história dos povos que perderam as guerras e que são alvo de contos de fadas (tão importantes para oferecer conhecimentos criativos e lúdicos) que precisam ser constantemente descontextualizados e narrados a partir de suas próprias narrativas. As identidades culturais, as cores das verduras, as dores da soltura, as sentenças de fé proibidas, as compras das morais e das normativas, as mortes, as guerras e as históricas e atuais iniciativas. São componentes essências que oferece conhecimento para que se construa a partilha do conhecimento e sabedoria.
Nesse sentido o significado de sabedoria transcende a sabedoria popular de: "aprender a não errar com os erros dos outros". Justamente porque a afirmação de Giancarlo Pagliaro propõe o sentido de sabedoria atrelado ao valor da liberdade, não reduzindo a sabedoria apenas a pratica de observação. A liberdade diverge da observação quando ela confronta, luta, emancipa, empodera-se e principalmente quando esta com a atitude importante da observação se faz política.
Portanto, atitudes políticas e resistência sempre oferecerão conhecimento no curso da humanidade, porque remete a caminha de um determinado povo ou até objetivo a ser construído. E diversos pensadores já demonstraram que a história se materializa a partir da ação das pessoas quando essas estão conscientes dos papéis que assume na própria sociedade em que vivem.

Neste sentido oferecer é partilhar e ao mesmo tempo que se conhece algo, se possui também este. Mas, o conhecimento individual não é supremo e ao valorizar essa atitude vamos de encontro a seguinte situação: "Sendo a vida ação e paixão, exige-se que o homem compartilhe da paixão e da ação de seu tempo, sob pena de acharem que ele não viveu". (Oliver Wendell Holmes Jr.). Evitar que as relações obedeçam o julgamento já é um grande indício que as paixões e ações partilham os conhecimentos. Por isso, o conhecimento deve ser próximo e quando pensamos na oferta de conhecimento, somos levados a imaginar como uma transferência de conhecimento. Contudo a afirmação: "As crianças são estrangeiras, e nós assim as tratamos".(Ralph Waldo Emerson) Significa que a humanidade tem muito ainda a refletir e reconhecer como se dá o conhecimento e como este ultrapassa as fronteiras que nós mesmos aprendemos a criar na própria caminhada de vida.
Os versos livres das crianças são impostos de regras que chamamos de conhecimento e esquecemos do exercício da espontaneidade, fazendo que tal denominação seja fragilizada simplesmente pela pergunta: Por que?
Eis os versos:
"A qualquer circunstância da vida,
sempre seremos chamados de louco e lunáticos,
porém se pudermos compreender os loucos e viajar para a lua, imediatamento uma imprensa inteira estaria aos nossos pés
e nos chamariam de doutores".
isso é conhecer
se conhecer
oferecer
"É revivendo os momentos que julgamos ser felizes,
que esquecemos um pouco mais
de ser felizes".
Comentários