top of page

Paz de espírito.

  • Foto do escritor: Poeta dos Jardins
    Poeta dos Jardins
  • 6 de jan. de 2021
  • 5 min de leitura

O que é a paz de espírito? Esta deve ser a primeira ação a se fazer ao deparar com tal expressão tão profundo e essencial na vida humana, e também dos seres vivos caso haja espaço para as reflexões perspectivistas, mas não é o caso aqui. Assim, a paz de espírito se inicia na atitude de escrever estas linhas, por que particularmente eu gosto de escrever, por parecer que nestas linhas são impregnadas muitas coisas que preciso trabalhar em meu cotidiano, na minha própria postura de encarar a vida. Encarar a vida, olhar a vida, enfrentar a vida é algo que traduz muito bem aquilo que se materializa nas atitudes, ao menos humanas, os significados que o próprio espírito dá as coisas, seja este o sabor dos alimentos, a relevância das palavras e até a própria forma de deixar se ser amado.

Minha intenção neste momento é me desvencilhar do pensamento e escrita acadêmica para adentrar aos diversos sentidos que os versos e as palavras podem exibir, como a liberdade de qualquer pássaro no alto alçando voos para poder conquistar um lugar ao sol e também com sombra e alimento. E esta metáfora de quem voa só é feita por que não sentimos exatamente o que é de fato possuir asas e se deslocar na existência no rumo das próprias necessidades e desejos. Portanto, os elementos que nos fazem confrontar com aquilo que não somos e queremos cativar e cultivar em nós mesmos, é elemento específico daquilo que é ou não é paz. E nesta etapa de definir o que é e o que não é, que podemos encontrar maneiras e atitudes repetidas para conquistar e acessar certas vontades e desejos, ponderando também que determinadas situações e caráter não nos resultam a estes desejos e vontades.

A paz de espírito, nesse sentido, não é sem voz, não é sem atitude e muito menos sem a busca pelo conhecimento e pelo auto conhecimento. A paz de espírito também é a capacidade que a pessoa humana possui de sentir que não irá conhecer tudo que existe e muito menos tudo o que acontece com ela mesma. Escrever palavras não se designa como atitude de definir sentidos, mas justamente pelo contrário ela aponta a questão das dúvidas, das indagações e principalmente do contínuo encontro com aquilo que podemos nos consolidar. A paz enquanto pratica e conduta esta associada as atitudes de calma, tranquilidade, ouvir e principalmente estar atento. Mas, nota-se que muitas pessoas com paz de espírito também são inquietas porque sentem prazer em construir um mundo que ainda está vivo e principalmente em movimento e enquanto este não morre, sente a necessidade pulsante de escrever a própria história, para que outras também se sintam encorajadas a enfrentar as próprias vidas. Talvez, neste sentido a paz de espírito encontre um significado importante, dos tantos que tem por aí escritos na história e na essência da humanidade.

A vida nos ensina a caminhar sempre e principalmente cantar aquilo que está no universo e principalmente possibilitado para sonhar e construir com aquilo que denominamos de paz. A realidade é um elemento importante para escrever a própria história e ter a capacidade e sensibilidade suficientes de dirigir palavras, mas estas duas características servem primordialmente para escrevermos as nossas próprias histórias. É nesse sentido que o exercício do sophismo daquilo que é belo ganha sentido, porque a beleza é um elemento específico e íntimo que só é desenvolvido com a paz de espírito que se define na adição de dois elementos que aprendemos em nossa vida: prudência e observação. Ser prudente é entender que a desenfreada forma como sentimos e desejamos individualmente a vida não deve conduzir a vida da outra pessoa de maneira nenhuma, por que prudência é uma habilidade aprendida que está atrelado ao caráter sensível que desenvolvemos. O elemento da observação nos coloca como andarilhos no caminho da paz de espírito, até por que tal termo e postura não se resume a uma atitude ou material que pode ser consumido. A observação que muitas vezes se confunde, mas não é igual ao olhar ou ver, determina o processo de sensibilidade mais profunda do que as outras pessoas necessitam e nesse sentido não caímos no equívoco de projetar e elencar elementos e caráter das outras pessoas naquilo que já conhecemos muito bem.

O alcance da paz de espírito é contínuo e não há uma prova, avaliação, conceito ou até elemento que meça tal atitude, até por que este significado apenas possui exercícios para que possamos nos deslocar individualmente para a valorização constante da vida. A expressão de Schweitzer é elementar nesta reflexão, porque identifica aquilo que deixamos morrer dentro de nós mesmos, as utopias, os desejos, as vontades, as experiências passadas e principalmente a atenção que poderíamos ter nos dedicado enquanto passageiros desta história contada e denominada de vida. Assim, a paz de espírito é a capacidade de se reconhecer amado ou amada e na reciprocidade provocar isso com prudência; é a capacidade de se reconhecer vivo com os valores, dons e criatividade que pode oferecer no trabalho ou na vida cotidiana em família; é a capacidade de ser sincero/a com a própria vida e com os sentimentos/desejos de todos que estima.

ree

O que é a paz de espírito? É o constante esforço humano de tentar entender que o conflito existe, mas eu não preciso criá-lo por que o diálogo é fecundo e funciona.

Portanto, na vida cotidiana a conversa, a partilha, a gratuidade e principalmente a capacidade de entender o quanto podemos ouvir mais as pessoas faz com que este termo possa ser vivenciado e versado como poesia e não caia na hipocrisia daquilo que é escrito e falado no vazio das próprias práticas. Ou seja, como ouvi outrora: - "Venham seus senhores da guerra, vocês que constroem as grandes armas, vocês que constroem os aeroplanos da morte, vocês que constroem todas as bombas, vocês que escondem se escondem atrás das paredes, vocês que se escondem atrás das mesas, eu só quero que vocês saibam que eu enxergo através de suas máscaras". (Bob Dylan)

A paz de espírito é não deixar morrer, é tirar todas as máscaras e poder trabalhar aquilo que ocultamos e que é sentido de nós mesmos. A prudência nos faz elencar na liberdade as atitudes de gratuidade e não de proibição. É com a paz de espírito que verificamos a capacidade humana de decifrar cientificamente e materialmente todas as evidencias possíveis por que acreditam na reciprocidade e na capacidade de construir algo que respeite a condição de todas as pessoas. Não é preciso se armar para deixar vivo os próprios desejos, é preciso apenas abrir os braços.


"Só aquele que possui uma fé profunda pode se dar ao luxo do ceticismo". (Friedrich Nietzsche)


Eis os versos:


"Eu pensava que as pessoas eram sinceras,
mas hoje descobri 
que apenas o interesse é que nos une, 

ainda bem que já escolhi 
meus sonhos e 
os sinto mais reais. 

Hoje me sinto um inútil, 
um inválido, uma ameba 
que adentrou a um corpo por nada. 

Simplesmente pelo instinto que um dia me fez invisivelmente sentir. 
E hoje ver como são cruéis os sonhos 
que adentram um futuro pelo interesse".

"Agora o problema é servir, 
pois quando esperamos ser servidos
 é que nos acostumamos a mentira".




 
 
 

Comentários


  • Instagram
  • Facebook
bottom of page