Por quem as denúncias dos crimes versam...
- Poeta dos Jardins
- 25 de mai. de 2020
- 5 min de leitura
Em tempos que a ignorância versa no imaginário e na forma de expressão de boa parte da população brasileira, cabe aqui uma reflexão e poesia sobre o contexto das denúncias cotidianas. Escrever sobre a atitude de apontar o dedo para outro alguém e entender a quantidade de poder que pode ser exercida nesta atitude é um momento importante para a sociedade e também para o fazer ciência. Neste sentido vou me permitir a caminhar pela escrita trazendo o senso comum como ponto de reflexão a tantas coisas que violam a liberdade e também a expressão das outras pessoas. Primeiro porque estas palavras não possuem uma verdade absoluta e em segundo lugar a necessidade de entender que algumas expressões hoje são crimes.
Cabe explicar nesse sentido que os versos contidos ao final desta postagem são retomadas de frases e reflexões feitas ainda em 2004 quando o contexto político e social que se desenhava não era demonstrado a favor da classe e de fato do rompimento com a opressão, mas uma silhueta de jogos políticos cuja moeda de troca foi a relação de desenvolver políticas sociais em conjunto com as necessidades de mercado e de exploração e intensificação da produção do sistema capitalista. Por que escrevo isto, justamente para contextualizar que muitas coisas mudaram no cotidiano das pessoas de 2004 pra cá, muitas conquistas de direitos e acessos aos bens de estar e estado social. Porém, as elites do poder nunca saíram do poder e em pleno ano de 2020 nos vemos com uma elite que brinca de ciranda com o sofrimento da população bem como a fundamentação do estado como princípio político do bem comum. A necessidade de escrever sobre as denúncias cabe bem aqui em versos e também em reflexões porque o senso de fazer justiça está atrelado ao da reciprocidade pelo poder como relação de troca.
Então, a denúncia dos crimes versam principalmente pelo interesse da tomada de poder e pelo controle das riquezas e benefícios próprios e longe dos princípios democráticos e que versam a política na essência do bem comum. O que se compreende é uma ação voltada para manutenção e acréscimo dos bens próprios. A retenção de bens materiais é um processo que possui significado distante dos valores apreendidos pelo senso de humanidade. E assim a luta ocorre pelo interesse e não pela essência das coisas. Com a ausência de reflexões o que se observa é a omissão de valores que se cultivam com solidariedade e felicidade para com as pessoas. Assim há um enfraquecimento no que se pode compreender como significado essencial do poder, justamente porque o essencial é invisível aos olhos e os olhares das pessoas se tornam insensíveis as pessoas.
Atualmente muitas denuncias de crimes são efetuadas por conta de uma representatividade política que acontece na comunicação das coisas cotidianas. Quanto mais poder se concentra, mais a possibilidade de grupos e associações buscarem no campo da representatividade e legitimidade as condições de conduta e opinião publica em um sentido de desmobilizar e descreditar a figura da pessoa que está no poder. O jogo do poder faz com que em diversas situações em que se concebe e pratica a lei, se figuram condutas criminosas para suprimir os direitos de populações, bem como a quebra de promessas advindas de contratos escusos para se chegar ao poder.
As denúncias dos crimes versam principalmente no cultivo do ódio por aqueles ou aquelas cujo lugar de referencia exerce poder. A tomada de poder pelo ódio faz com que denuncias de crime cometidos sejam expressos justamente pela participação de quem cometeu tal delito ou principalmente por quem auxiliou o personagem a conquistar o poder. Na atualidade política não há uma ação forte de exercício da justiça, justamente por que a história recente brasileira apresenta uma justiça que permite os interesses e os jogos de poder como ponto principal e motivacional para ações e detecção de crimes. Em contra partida as denuncias dos crimes que versam pela inteligência e valores como justiça social e direitos humanos, caminham para uma compreensão dos interesses coletivos. Aqui este texto permite entender e dar sentido as denúncias cotidianas que fazemos sobre a forma como aqueles que exercem poder social fecham seus olhos para a compreensão da realidade do povo.
Ou seja, para exercer um forte poder é necessário que a versão da denuncia propicie mais inteligencia e diálogo que o ódio escancarado pela oposição e construção de estereótipos que diminuem o próprio valor da humanidade. O combate a diminuição das pessoas e das classes através das palavras inseridas pela mídia televisa ou de radiodifusão que tem seu patrocínio em representantes do poder público, fazem que as disputas dos discursos se insiram nos versos da poesia um caminho para denunciar a ausência de justiça.
As palavras possuem poder significativo quando entendidas como motivadoras de praticas sociais e que inserem nas pessoas comportamentos de ódio e ignorância. O caminho de informar e ensinar é cansativo e desgastante quando a sociedade é colocada em uma relação de insignificância e distanciamento do conhecimento científico e empírico. No cotidiano é possível ler palavras violentas e expressões ignorantes nas redes sociais tomadas como verdade e credo, o que dificulta ainda mais o exercício de escrever as palavras que precisam ser interpretadas para a vida das pessoas. O ódio deve ser combatido por quem entende a necessidade de fazer a justiça coletiva, por isso, por quem as denuncias dos crimes versam dependem destas duas posturas. Do ódio que leva a ignorância e do diálogo que leva ao conhecimento.
A afirmação de Daudet vai de encontro a fraqueza de pensamento e consciência quando nos deparamos com essa sede de poder e reprodução social da ignorância no cotidiano. É importante salientar que há uma cólera quando as pessoas não fazem o papel de refletir e conduzir a própria racionalidade ao exercício do pensar na justiça. Nesse sentido para quem as denúncias versam na atualidade apresenta muito bem em qual sentido se escreve a história atual e as condições de domínio dos discursos. Os poucos direitos mantidos nos últimos tempos se tornaram conteúdos de pregação de ódio e indignação pela classe que sempre pensou em reter, nesse sentido sempre houve a pratica da exploração. Somando ao ódio e a necessidade de excluir os interesses coletivos compreendemos a necessidade de dialogar os crimes da atualidade para que os mesmos não se tornem apenas peças de romances e teatros de punições condicionadas a quantidade de dinheiro e interesses de produção e sistema.

A cólera dos fracos é tão ignorante e violenta que não consegue dialogar com o diferente, mata o fraco e suprime a solidariedade. O ódio faz com que as classes se apropriem dos discursos morais mais reproduzidos na sociedade e como forma de introdução de conduta inserem na sociedade uma forma de informação que transforma a sociedade em ações e reações em cadeia de pessoas que necessitam expressar sua ignorância para toda a sociedade. Os que denunciam os crimes, muitas vezes cometem crimes e tem como crime em seu íntimo o simples fato da diversidade de pensamento e principalmente a diferença de convicção da realidade vivida. Isto significa muito do atual cenário político em que vivemos uma cólera fraca e falível de representantes do poder que negam a ciência e a maneira de expressão identitária.
Eis a reflexão: -
Eu me pergunto porque o futuro não é tão presente assim e me indago, pois o passado traz a certeza de que a verdade sobre o futuro é incerto; Tal incerteza que domina e possui a mente de homens e mulheres em prol do consumismo, da libertinagem e da solidão. Aniquilando o que realmente nossas experiências justas indagam. Minhas perguntas, ainda espero respostas e dois caminhos me levam a ela. O primeiro caminho é do tempo e o segundo são dos meus atos! Optar pelos dois caminhos? Não sei, posso talvez me perguntar novamente porque o futuro não é tão presente quanto a nossa presença. Prefiro dialogar sobre aquilo que quero denunciar na minha própria escolha... A resposta: é nossa!
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