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Quem fala a verdade?

  • Foto do escritor: Poeta dos Jardins
    Poeta dos Jardins
  • 14 de jan. de 2020
  • 7 min de leitura

O Poder da palavra é algo instantaneo porque nos transporta para um sentido que pode ou não ser próprio a partir do momento como ouvimos ou entendemos a palavra. Assim, as coisas são contadas com a realização de fatos e narrativas de sentimentos que muitas vezes duvidamos existir ou que constituísse tal realidade. Nesse sentido as pessoas falam para se apresentarem, mas também para se esconderem através das palavras.

Portanto, escrever não é um ato que apresenta total veracidade e quer expressar a realidade total ou transmitir a verdade dos eventos que acontecem para chegar a tal síntese ou pensamento. E a verdade em si é uma palavra forte e transmite um critério que pode ser identificado como principio do conflito, justamente porque existem coisas que podem ser analisadas e que possuem resultados comprovados e aproximados. Mas, no campo das ideias e dos sentimentos as verdades se tornam individuais e assim há um caminho que pode ser entendido como projeto ou aventura. A voz da verdade neste instante já não é algo tão fácil de se distinguir, porquanto estas palavras que escrevo que constituem voltas e mais voltas para talvez não resultar em lugar nenhum.

E isso se torna mais complicado no processo de crescimento quando a igreja fala a verdade, os parentes falam a verdade, os professores e professoras falam a verdade e até a televisão fala a verdade. Aqui está a sentença de que as pessoas necessitam se comunicar adjetivando e concluindo que há autoridade na fala por se tratar de uma verdade. A individualidade vai se tornando uma verdade frágil e assim esse amontoado de opiniões e depoimentos se tornam o engano, o equívoco o julgamento e muita coisa que se distancia da realidade que é a própria verdade. Tantas pessoas no dia a dia falam a verdade que ao refletir as coisas ditas não conseguimos comprovar a veracidade daquilo que é vivenciado. Em outras palavras, aquelas do poeta português, os de boa lábia são enganadores ótimos.

"A verdade sobre os sonhos está esculpida nos nossos olhares". E dormir é uma atitude real e surreal ao mesmo tempo. Durante o percurso da vida já me deparei com sonhos tão complexos e absurdos que pude vivenciá-los em minha vida real. Há loucura nesse rumo de poder tentar contar os próprios sonhos com a prática da vida real em que o resultado é a própria verdade e os próprios sentimentos. Por isso é importante não duvidar das próprias loucuras justamente quando quem protagoniza a força das palavras na própria vida é a própria pessoa. Exatamente quando em um mesmo corpo as personas afloram para tentar dar conta das diversas verdades que esta construiu no percurso de vida repleta de frustrações, desejos, alegrias, crenças e principalmente amor próprio. É neste momento que pode ser questionado: Quem fala a verdade? Quem está falando a verdade? E quando o eu com o Eu mesmo entram em conflito e entra um outro eu para versar os anseios de apenas SER. Para alguns a verdade é loucura, para outros a verdade é caminho para se entender e para muitos a verdade exige cuidado.

Cada vida é genuina e em sua identidade possui características verdadeiras e que está prontamente encontrando. Alguns racionalizam as próprias verdade e administram em rédeas bastante definidas para que as pessoas possam ser espelho de sua própria identidade. Outras pessoas em sua identidade sentem a necessidade de expressar os desejos que possuem em suas estranhas e a cada momento em que os sentidos são plurais esta pessoa forma identidade diferente daquela vivida a pouco e transformada em outra expressão em breve. E neste mundo de mudanças constantes o ato de existir é a verdade mais absoluta que podemos definir em um primeiro momento. Considerando que: "Vivemos para entender um pouco do que ainda tentamos chamar realmente de existência".

Talvez a dimensão familiar seja a primeira verdade falada que é construida e desconstruida constantemente por conta da vivência do aprendizado e dos conflitos. É com a família que tomamos a forma ambigua de expressão em objetivo de poder pedir coisas necessárias para viver. A verdade se dá no jogo em que o limite entre dependencia e independencia garante um percurso interessante na vida de qualquer pessoa. Assim a verdade da proteção, da moral, da razão, de ser alguém na vida e começar a lavar a louça e limpar seu próprio espaço ganham sentido nesse desafio de responder a pergunta. É dentro dessa capacidade de entender que poder e palavra são conectadas a figura da autoridade que em seguida é ligada a figura da verdade. Aqui absorvemos a capacidade que quanto mais repetimos as pessoas que nos deslumbramos por ter autoridade, tomamos a sensação que seremos melhores ou tão repletas de verdades como determinado familiar. Isso se desmonta quando começamos a criticar o comportamento das pessoas e descobrir novas formas de viver e querer as coisas, passando do vislumbre para um constante teste de nosso familiares. Essa etapa é quando observamos as verdades que estão fora de nossas casas, porta a fora. 

"Fechar as janelas do mundo e traduzir os sonhos, é ser capaz de deduzir os milagres que esta vida resulta". Justamente porque na sociedade levamos muitas verdades  e características de nossas casas e é nesta etapa que as novidades são ampliações de nossas essenciais verdades. Não esquecem daquelas que carregamos com a própria criação, mas redefinem muitos simbolismos, sentimentos e significados que as pessoas constrõem em suas próprias casas. É um sinal importante levar consigo os valores aprendidos pelos familiares, porém fechar as janelas não significa exilar-se inteiramente do mundo e da própria curiosidade que adentra qualquer pessoa. Portanto, as verdades aprendidas na escola, na igreja ou na sociedade exercem funções importantes porque atravessamos a linha da dependencia de cuidado, para o lado da autonomia e independencia e que muitas vezes o embate fechado em casa é do respeito ou a liberdade. Nesse sentido a frase filosófica que segue determina esse processo. 

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Durante minha vida essa frase foi um motivo para meu percurso em relação a muitas escolhas que tive na vida. Talvez por ter esse sentido de poesia em meu caminha, muitos segredos que tomei como objeto de curiosidade foram carregados de sentidos e de verdade. Viver perigosamente é uma ciência bastante efetiva para um ser humano que se motiva em conhecer sempre. Perigoso também é descobrir a verdade das pessoas e da vida de maneira que não está preparado. Perigosamente é o segredo a ser desvendado e que muitas vezes não pude enteder ou até sentir. Ou seja, "Ouço seu coração bater cada vez mais forte e sensitivo, com o som que identifica os sintomas de vida e verdade". Recebi muitas cartas e também por horas pude partilhar palavras bonitas com as pessoas, senti vontade de ficar eternamente escutando e entendendo suas verdade e agora na lembrança o segredo das palavras vem acompanhado dos locais, das músicas, do cheiro, do sabor e principalmente do sentir se existência. É neste momento que vivever perigosamente se dá na forma mais bela de quem fala a verdade, é o exato momento em que você atravessa a fronteira de si mesmo e começa a se aventurar perigosamente na verdade do próximo. Momento que muitas verdades absolutas se tornam mentiras justamente pelo aprendizado absolutista individual de querer imprimir nas pessoas o poder que imprimimos nas  palavras como posse. A verdade  possui a fantástica forma de versar mais que uma vida e dar sentido a caminhada da vida, por isso, "Nada irá operacionar o conteúdo e o reflexo dos anseios vivenciados". Porque muitas pessoas sentem necessidade de sentir o que as pessoas contém de mais belo que é a própria existencia. As pessoas vivem experiências importantes e que para outras pode ser tomada apenas como adjetivo de erro ou falência. Contudo, quem fala a verdade é quem sente a necessidade de estar ao lado do outro, quem cultiva a capacidade de poder entender o outro e buscar maneiras de tornar o universo em sua volta mais feliz e mais justo.  

Quem fala a verdade é capaz de ensinar atitudes como: "Promessas que vivem no nosso peito e revelações de amor não existem, sem serem realmente reveladas em nossas características". Por isso é um fato que nem todas as pessoas possuem coragem para exercitar suas verdades porque constroem um significado de segurança bem maior que a palavra perigo pode proporcionar na vida das pessoas. Lembrando que as pessoas chamam de perigo as pessoas e as coisas que não conhecem, por isso muito do que é dado como perigoso é fruto de um imaginário perigoso. Quando se ama é necessário falar a verdade e não deixar calar os próprios sentimentos, porém isso não significa desrespeitar e muito menos entender a vontade da outra pessoa e até da própria situação. Nesse sentido a verdade está a serviço do dialogo e não do possuir. 

Assim, as conversas podem ser identificadas de diversas formas e "Tropeçar nos calços que percorrem nossas características é vivenciar e experienciar nossa personalidade partilhada". A demonstração da própria personalidade é uma verdade bastante genuina e que faz com que as coisas partilhadas na própria vida se insira como propósito de decifrar os próprios mistérios e enigmas que a pessoa tomou para si como prática da vida. Sentimo nos pressionados ao descrever nossos sentimentos justamente porque não estamos acostumados a praticar o valor da confiança. É neste momento que entra a importância de ser verdadeiro consigo mesmo e em todas as dimensões da própria vida.  

"Eu não sei ir além dos sentidos mais íntimos, pois não gosto de intimar a vida alheia, mas sim auxiliá-la". É uma frase que expressa o quanto reprimir coisas que sentia na vida e que penso que muitas pessoas passam por isso porque não sabem quem está falando a verdade. Que é o próprio íntimo, a própria interioridade exercida nos sentimentos verdadeiros da pessoa. A vida alheia não precisa ser possuida, mas é alguém que pode partilhar os próprios pensamentos e sentimento sem a necessidade de possuir tal pessoa para que a mesma mostre a sua personalidade. Eis que a oportunidade de decifrar muitos sentidos de vida se dá na capacidade de poder se conhecer e observar, sem negligenciar aquilo que é mais precioso na própria caminhada da vida: - "Vivi e me contive nos traços e nos conselhos mais belos de um som invisível e insensível".

 
 
 

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