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Resistência NEGRA!

  • Foto do escritor: Poeta dos Jardins
    Poeta dos Jardins
  • 22 de out. de 2019
  • 4 min de leitura

Percebi nesta agenda da vida que muito diferente é a forma que a humanidade cria e recria as diferenças entre os seres humanos. E isto se torna produto inevitável para que eu em linhas tente entender porque a violência também é simbólica e tão forte. Por que as pessoas bem informadas ignoram o conhecimento e se tornam ignorantes diante das múltiplas identidades?

No universo das poesias os gritos de liberdade também foram ecoados na língua portuguesa e principalmente por africanos trazidos na condição desumana da escravatura. Permita me advertir que antes de ler estes versos e palavras, você necessita retornar sua memória para a sala de aula e os conteúdos de ciências humanas apreendidos. Sim, o ser humano oprimiu outro ser humano a ponto que este pudesse realizar força de trabalho tendo a única reciprocidade a violência.

A escravidão no Brasil e em toda a conhecida América foi negra e nela até os dias atuais consequências perversas ocorrem. A situação de exploração que a população negra foi sentenciada por muitos séculos, hoje é caracterizada ainda como um processo de ignorância humana. Existem pessoas que aprendem ainda a distinguir pessoas por sua identidade, sua forma de viver e principalmente pela melanina da pele. A discriminação e o racismo são feridas sociais que não se passaram, continuam nas redes sociais e principalmente nos verbos e substantivos explanados por quem se imagina em uma situação de mandatário e patrão. A arte infelizmente também abre espaço para a reprodução destas manifestações infelizes, porém não é sobre a ignorância que quero e desejo escrever.

Por que o oposto da opressão é a luta pela liberdade, a criatividade de resistir e expressar a cultura, os sonhos, o paladar e principalmente a fala. A resistência negra aqui me faz lembrar de dois poetas que muito me ensinaram na vida. Licinho e Alzemiro (in memoriam). Sabiam escrever de amor, cantar de liberdade, expressar de verdade e ensinar a amizade. A vida é marcada por muitos valores e o da amizade é aquela que agente aprende a cantar e admirar a identidade do próximo. Com estes poetas eu aprendi que o maior simbolista brasileiro foi um negro que também viveu por terras desterrenses. Sim, Cruz e Souza que tanto escreveu sobre força, sobre esta carne que é mais barata pela reprodução das desigualdades. Mas, é legítima e inigualável por que é cor de pele e alma que vive suas próprias forças e forma de falar com tal identidade que nenhum critico de poesia poderia entender a semelhança entre o sentir e o ser.

Atrevo me a escrever, pois negros resistem e fazem da própria vida em que há uma sociedade que se permite entender e ser entendida, e que com as poesias não existam mais senzalas e muito menos a casa grande. Que haja comunidade onde se partilhe pão, fé e poesia.

Vários personagens negros, homens e mulheres puderam encher a humanidade de esperança e coragem, valores de liberdade das mais plurais condições de desumanidade. Pessoas estas conscientes e cientistas da própria humanidade. Portanto, raça... há somente uma, a humana. Quem ainda duvida dessa equação existencial volte a aprender o significado das palavras que escrevo. A poesia não rima com racismo e muito menos com distinções acerca da humanidade. 


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Marcelo Yuka fez parte por muito tempo do grupo musica O Rappa. Negro, compositor e músico carrega em sua poesia um vapor que não é nada barato. A maneira como pode contribuir para a cultura da musica popular brasileira com poesias de identidade musicadas é uma referência para sempre. Nestas reflexões me permito a não utilizar nenhuma referência acadêmica mesmo sendo pós graduado em Sociologia. Sinto que ao brotar do caminho da vida em refletir as condições das pessoas e principalmente da sociedade pude aprender a escrever.

A resistência negra na música e na poesia é referencia para poder aprender a gritar frente as injustiças, gerir a postura política de entender em que lado estou da sociedade. Mesmo não sendo um negro me sinto na obrigatoriedade de rimar essa luta e estas referências. Pois, preciso desconstruir a cada dia a discriminação que aprendi, e retirar as máscaras que pude colocar nas minhas atitudes cotidianas. A sociedade brasileira vive uma síndrome teorizada e também sentida pela classe trabalhadora que é o racismo estrutural. Diante deste racismo estrutural percebido com meus 16 a 19 anos, dou publicidade a estes versos:

"O princípio, o fim e o meio, variam de lado a lado para encontrarem seus sentidos".

e os poemas não tem a singularidade da cor sólida e evolucionista

"A direção do amor é como um raio de luz

que incide e refrata nos nossos corações sem mostrar o mistério da reflexão".

A vós não tem cor e também generalidade, é plural...

"O medo vem pela falta da luz, a segurança vem pela mão estendida,

o ódio vem pela ausência do bem, a felicidade vem pela compreensão e o amor não vem,

já existe dentro da gente...".

Mas, o amor é resistente e conflituoso. Escraviza e vê com desdem no tempo...

"Se eu voltasse, gostaria de ser NEGRO, sem raça e preconceito,

crendo no bem mesmo não vendo".

Por que das algemas e da venda da força humana

se inscreveu no caminho da humanidade o mais desumano sentido

amando a vida, vivendo sendo morto...

"Rumo minhas mãos aos céus e contemplo a vívida beleza que me preenche de leveza

e me faz sentar no banco dos réus".

Pois, ao resistir pela liberdade eu quero me sentir quilombo,

desafiando a ordem e o progresso e todo esse falso cordialismo disfarçado de bom costume.

Para que os cidadãos de bem, entrem no espaço deste julgamento... tal qual...

"E com um ar de tristeza vejo os meus sonhos em Deus,

como conselho de versos meus presos na garganta em clareza".

Por que nossos deuses são plurais, são espíritos, são formas e elementos tão ricos

mas, resistentes e empobrecidos no eurocêntrico entendimento

que escravo outrora hoje não é evoluído...

"Que cantar significa amar e lutar é se opor ao amor, e a quem tudo veio criar,

pois, num sonho em temor, cativei e quis criar um mundo com novo louvor".

Lembrando de quem estende a mão e cultiva a consciência

opondo se ao amor opressor e sem arestas

dançando e incorporando, resistindo a própria carne para se sentir liberta.


A CONSCIÊNCIA É O CAMINHO PARA QUE SE ROMPA COM AS VIOLÊNCIAS CONTRA OS (AS) NEGROS (AS).


 
 
 

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