Sempre fica.
- Poeta dos Jardins
- 8 de jan. de 2021
- 4 min de leitura
As palavras guardam memórias de sentimentos bons, da brisa suave que se confunde com os olhares que sempre irão marcar nossa essência e principalmente a leitura de mundo. Assim, a simplicidade é um caminho que podemos traçar sempre, desde que a simplicidade seja a atitude mais valiosa perante as pessoas próximas. O título remete a tudo que o poeta sente e tenta jogar pra fora, para que de certa forma as pessoas que não entenderam aquilo que um dia foi partilhado, possa ser entendido ou saboreado em algum outro momento. Por isso sempre fica na memória o sabor, o sentido, as palavras e principalmente a doçura dos versos simples que podemos experimentar nas paixões, sentidos e amizades.
Sempre fica a capacidade básica e óbvia de poder cultivar amor ao próximo e os valores mais nobres já dito por diversas personalidades da humanidade, porém sempre tem uma pergunta bem fecunda que se finda na possibilidade de indagar porque necessariamente precisamos amar as pessoas. Talvez, sempre ficarão respostas dentro do coração das pessoas e do carinho e admiração que fica no tempo e principalmente no passar do tempo, e assim o convite das palavras também é tentar incutir a reflexão sobre o ficar em paz, ficar com a parte que mais vale das pessoas que é a capacidade de expressar o caráter do acreditar. Escrever é um ato tão difícil quanto encarar uma pessoa e falar coisas que queríamos expressar com transparência no sentido de tentar demonstrar a admiração e cuidado. Sempre fica uma sensação de ter podido falar mais, fazer mais, cuidar mais, cantar mais ou escrever mais, entretanto as possibilidades dos encontros com aquilo que nos faz crescer são sinceramente finitas. E fica uma atitude desenhada no coração que não pode ser mensurada apenas pela capacidade de olhar a frente, mas olhar para o lado e observar quantas pessoas se puseram na gratuidade de caminhar junto. E de fato se este caminho e lembrança de partilha habita a lembrança de uma pessoa, significa que esta pode equacionar a quantidade de vezes que pode aprender valores.
Sempre fica também a lembrança das quantidades de vezes que estendemos as mãos e por vezes desejamos a reciprocidade, mas conforme o tempo passa percebemos que o aprendizado é o grande significado recíproco que temos destas ações e assim as vezes que ajudamos as pessoas, partilhamos desafios e nos ajudamos a caminhar e desvencilhar-se de espinhos pelo caminho, marca um sentido de força que sempre fica no olhar e principalmente em um abraço apertado. Partilhar o alimento, o bem comum, os ideais, os sentimentos e principalmente aquilo que é mais verdadeiro dentro da pessoa e nutre duas formas de viver: a primeira que é a capacidade de poder ressignificar aquilo que aprendemos com ternura e a outra é a prática de ternura e candura no cotidiano mesmo que as dificuldades se apresentem continuamente.
Sempre fica a referência dos valores das pessoas e principalmente da essência das palavras dirigidas e partilhadas no percurso da vida, sempre fica as doutrinas que se tornam em práticas conforme o caráter transforma as coisas em nossa volta por que nos possibilitamos a compreender a humildade e mudar também. Sempre ficam os plurais sentidos das festas que são celebradas pelo dom da vida e de escrever com mais passos convictos a própria história. Contudo gritar com as palavras e espalhar aos quatro ventos o sentimento a partir de versos é o que fica sempre dentro do coração do poeta que tenta construir e colorir a vida e por vezes nega esta atitude que parece ser utópica, mas é seu universo que muitos não compreendem, porque os poetas tem a capacidade de cultivar as coisas com a verdade interior, incomunicável, sensível e direta.

Para que as sínteses aconteçam, não é necessário a interpretação da palavra sempre como um signo de totalidade. A palavra sempre significa caminhar até quando der, até porque as palavras de Neruda nos ensinam a compartilhar terras e espinhos, os ventos das montanhas, a maresia do mar e o som distante da liberdade que por horas e momentos raros em nossas vidas podemos tocar.
Para Neruda a cor dos versos está em olhar com cuidado e atenção aquilo que se apresenta na nossa frente e sua escola literária me ensinou a respeitar essas matizes de cores e significados tão preciosos.
Ou seja, sempre fica aquele incentivo barato e simples: "Vamos ater nossos sonhos com alegria e distribui-los com vigor em prol do amor". Assim as relações nos ensinam a partilhar aquilo que parece ser impossível até revisitar as sensações mais preciosas da própria lembrança. E nestas referências somos parte de uma humanidade que tenta se afirmar além do umbigo da própria casa para sentir o vento forte do mundo e tentar encontrar um lugar para se esconder dos fenômenos que nos fazem esconder das essências. Como as palavras de Woody Allen: "Mais do que em qualquer outra época, a humanidade está numa encruzilhada. Um caminho leva ao desespero absoluto, o outro à total extinção. Vamos rezar para que tenhamos a sabedoria de saber escolher". E nesta sentença de mudanças e permanências daquilo que está intimamente dentro de nós mesmos, permite explicar as palavras guardam memórias boas, versos bons...
Eis os versos:
"Bem vindo ao mundo onde o amor é constante
de um vício e de um prodígio
consumado pelas pessoas que se destroem
e se consumem como máquinas".
"O que é belo não me pertence,
pois me ilude de tal forma que minhas lágrimas
se tornam cristais,
que cravam meu peito
e cortam meu semblante que ama e sofre".
"Vejo que o invisível
me mostra a realidade,
enquanto o mistério
é propaganda do que vemos".
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