Uns dias e meios
- Poeta dos Jardins
- 2 de mar. de 2020
- 3 min de leitura
Quando as forças da natureza permitem ser portais abertos para escrever seus próprios mistérios. É quando o poeta inicia sua jornada para exercitar a própria sensibilidade diante dos fenômenos naturais e culturais. Assim os momentos vividos possuem maneiras diversificadas para contemplar o tempo e também a necessidade em ser e estar. Portanto, os tempos que nos limitam, são aqueles que não nos esforçamos para aproveitar e cultivar os valores que observamos.
Assim quem planta silêncio no modo como analisa as palavras, possui uma prática eficaz na maneira como exerce a relação dos valores em vida. A consciência é dada no dia a dia e nas inúmeras vezes que somos desafiados a amar e ser amado. E das muitas coisas que podemos ter como pratica de amor em nossas atitudes, os valores da perseverança e esperança apresentam características de quem se coloca na jornada de observar a beleza das cores. Longe de dialogar sobre o conceito do que é belo na arte de pensar e na afetiva maneira de conjugar verbos para as atitudes humanas. Há aqui uma maneira de livre de poder descrever as vivências.
Tem momentos que mesmo durante o dia conduzimos boas energias para nosso dia e em determinados momentos parece que o desencanto se apresenta de maneira muito significativa. Por isso, que o dia é repleto de desafios porque nestes momentos de desarmonia as coisas da vida aparecem de maneira mais propícia. Porém, das diversas formas e condições que tomamos para nós mesmos para interpretar a realidade, a sensibilidade é condição indispensável para entender a metade de nossos dias.
Os dias também possuem respostas quando na inconstância da própria alma tentamos encontrar os valores necessários para contemplar o que é significativo e identitário em nossas vidas. Desta maneira o dia vivido tem momentos em que a luz aparece como farol que gira seu feixe de luz para apenas orientar nossos olhares como um cuidado. É por isso que necessitamos entender que o processo sensível é tão importante que deste se precede a própria escolha do que fazer na vida.
Adélia Prado descreve estas paisagens quando reproduz na frase seguinte a quantidade de sensibilidade rara que pode adentrar qualquer pessoa que se propõe a desafiar ler o que está além dos próprios olhos.

A foto ao fundo foi tirada em um verão de 2018 na cidade de Laguna - Santa Catarina, tendo como imagem os 'molhes da Barra'. A foto é da minha cidade natal e nesta imagem que unifica mar e lagoa, as águas da vida são continuidade e balanço destes momentos em que podemos contemplar a própria natureza.
Muitas vezes permitimos que a vida nos leve e que os dias sejam o motivo para nos levar além do que podemos ser. Aí programamos nossos minutos e horas nos compromissos que tratamos com as pessoas e também conosco. É nesta confusão diversificada das vontades que ao programar atitudes determinamos nossos dias e o que podemos fazer deles. A premissa mais plausível é que tanto os dias nos fazem viver os momentos, tanto como podemos fazer os momentos acontecerem. Não há uma totalidade de ação diante desta relação do tempo e principalmente a contemplação do essencial que não pode ser observado apenas com um olhar é que dá sentido para tudo o que se escreve. Por isso, o desencanto da vida está no imediatismo das coisas que apenas pensamos que podemos comprar, mas não podemos nos relacionar essencialmente. As palavras são estas relações múltiplas de contatos verdadeiros com o fazer dos dias.
Eis a necessidade de aprender com Adélia Prado que entre os tempos especiais de nossos dias muitas coisas boas podem acontecer. Uma delas é o convite que faço para poder viajar neste poema aos minutos preciosos de cada dia...
"O dia não existe por si só,
precisamos que ele exista dentro de nós próprios".
que signifique um sentido precioso,
e ao contrário...
" A verdade sobre o coração
pertence ao baú de nossas hipocrisias".
por que explicando o existir,
" somos o corpo e o sangue dos versos que saem da nossa boca,
por isso as palavras nos ferem.
Pois, nossos ouvidos são realmente indefesos".
e ao levantar no meio da noite...
"Daí o sonho me beliscou
e bateu a porta do meu íntimo
e vasculhou minha alma como se ali houvesse um tesouro, porém...
ele esqueceu de um detalhe:
- a minha permissão".
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